quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Obama e o caos da saúde pública americana

Novos tempos nos EUA e grandes problemas a serem resolvidos pelo líder Barak Obama.
Um deles com certeza será como resolver o caos em que se encontra a saúde pública dos Estados Unidos, especialmente em tempos de crise e recessão econômica em que os recursos estarão escassos para qualquer tipo de investimento.

A missão de Obama torna-se mais difícil em função da esperança depositada pelo povo americano, sofrido com as involuções econômicas e com a perda do brilho e status de seu país como grande potência até então imune as crises mundiais.

Mas os problemas de saúde pública dos Estados Unidos já não são de hoje e vem sofrendo um grande processo de sucateamento em função dos investimentos e do forte crescimento dos serviços privados de saúde. Segundo a Commonwealth Fund Foundation, os Estados Unidos gastam em saúde duas vezes mais por habitante que os outros grandes países industrializados, e os custos continuam aumentando mais rápido que a renda.

Há muita corrupção dos planos e seguros de saúde e os serviços, que estão cada vez mais especializados e caros, limitam o acesso à parcela da população que tem como investir no setor privado ou tirar do bolso para conseguir realizar seus exames e tratamentos.

Nesse momento é que o Brasil dá um banho nos EUA, sobretudo na forma como as políticas e programas de saúde são pensados e executados. Mesmo com todas as nossas dificuldades por aqui, a maior parcela da população utiliza os serviços do SUS para contemplar suas demandas de saúde sob princípios de universalidade de acesso, fato difícil de vermos na terra do Tio Sam.
Nos EUA também vemos unidades de saúde e serviços de emergência lotadas, filas de espera para realização de exames e procedimentos, pacientes largados na porta de hospitais e o drama de famílias inteiras desesperadas por não terem condições de pagarem os tratamentos que são caros e inexistentes nos serviços públicos de saúde.

Para conferir o que digo, basta assistir o filme-documentário Sicko - $O$ Saúde, feito pelo habilidoso Michael Moore e estreado no Brasil em 7 de março do ano passado, trazendo muitíssimo bem retratado o panorama da saúde nos EUA.

O presidente Barack Obama tem muitas frentes e batalhas a combater e terá que colocar a saúde pública dos EUA na sua lista de prioridades. Para isso, terá qu e apresentar um projeto grandioso e transformador, que mude o centro do modelo médico hegemônico americano que é essencialmente privatista e traga benefícios e oportunidades às camadas mais carentes para acesso a serviços.

Isso com certeza significará para Obama a confrontação de idéias com líderes conservadores, birgas internas com as grandes empresas e corporações que financiam e lucram com o mercado saúde, fatos que poderão por à prova a sua força e o seu governo.

Investir em serviços básicos de saúde, fortalecer as ações preventivas primárias e ampliar a capacidade de serviços públicos de maior complexidade poderá ser uma das alternativas para mudança desse cenário. Entretanto, vale lembrar que durante a campanha para presidente, a pedra fundamental da plataforma de Obama para a saúde pública nacional envolvia organizar um sistema nacional de registros médicos computadorizados, o que é positivo por um lado, mas não resolve os problemas dos cidadão que precisam dos serviços públicos para sanar seus problemas de saúde. (veja a adenda de saúde de Obama aqui - inglês)

Copiar ou importar modelos de outros países também poderá ser uma grande furada.

Será preciso entender ainda que para se cuidar de uma dor de barriga nem sempre é preciso fazer um ultrassonografia, assim como para uma dor de cabeça nem sempre precisamos recorrer a tomógrafos ou ressonâncias e assim agradar os empresários da saúde. Essas são apenas "realidades" dos seriados ER (Plantão médico) ou Dr. House.

Mas, como disse o próprio Obama, "the change came to América". Aguardemos.

O bar da pílula


Cada dia as pessoas se superam.
Depois de ver profissionais colocarem a culpa nos pacientes que não melhoravam, de ler sobre o Barco do aborto, do restaurante do ataque cardíaco, eis que vem agora o bar da pílula.

A Anvisa multou na semana passada, em R$ 300,00, o Bar QG, um bar badalado de Maceió freqüentado por jovens e estudantes, pois ele trazia no seu cardápio a oferta de anticoncepcionais, pílulas do dia seguinte para os seus frequentadores. E não parou por aí. De quebra, lucrava ainda coma venda de outras drogas, também disponíveis no seu cardápio como analgésicos e antiácidos.

Essa notícia foi veiculada por alguns sites da net (veja aqui), na Isto É e na Folha de São Paulo.

O propietário ainda afirmou que a situação não passou de uma brincadeira com seus garçons e que vai recorrer da decisão da Anvisa.

Agora vejam. Os canais de comunicação veiculam as notícias e não estimulam o senso crítico das pessoas chamando atenção para as reais preocupações que a situação impõe, que são o uso indevido de medicamentos, inclusive associados ao álcool, a banalização da pílula do dia seguinte, o incentivo indireto a prática de relações sem o uso de preservativos (sendo por isso necessário lançar mão da anticoncepção), a exposição das mulheres a doses hormonais elevadas que complicam seus ciclos menstruais e ainda da venda insdiscriminada de medicamentos sem qualquer monitoramento ou fiscalização dos órgãos competentes.

São atitudes que vão na contramão do que se propõe como política de saúde para prevenção de agravos, para o controle da transmissão do HIV, para a redução do índice de gestações indesejadas e até na adolescência, para a banalização do uso de drogas sem orientação médica com riscos de complicação e até auxiliando na difusão de doenças sexualmente transmissíveis, pois, na medida em que o sujeito não se preocupa com uma possível gravidez, dada a disponibilidade das pílulas, termina por praticar sexo sem segurança, sem o uso de preservativos. Fatos que só colaboram para incrementar negativamente números que lutamos por reduzir.

Chego a pensar que vale mais a pena abrir um buteco para vender medicamentos. Pelos menos, terão a certeza de haver público e consumidores periodicamente (e quem sabe transformar as farmácias em bar??? ahhhh esquece!)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Check-up faz mal ao SUS

Meses de dezembro a março: esse é o grande período de concentração de pessoas em consultórios e clínicas de saúde. As pessoas aproveitam o seu tempo livre nas férias para realizar o que chamam de check-up, terminologia americana que fora utilizada nos anos 50 num dos programas espaciais ianque, em que os astronautas tinham de se submeter a uma bateria de exames para evitar complicações durante o lançamento e na sua estadia fora dos confins do nosso planeta.

Nos anos 80, a idéia dos check-ups ganha força através do lobby realizado pelas empresas da saúde. Vislumbraram na época a grande oportunidade de fazer mercado com a necessidade de saúde da população e passaram a trabalhar então sob duas frentes: no desenvolvimento de tecnologias diagnósticas cada vez mais especializadas e menos agressivas e invasivas, e do outro lado, a difundir a necessidade de realização de exames periodicamente, como estratégia de prevenção e promoção da saúde, sobretudo na classe médica e nos serviços privados de saúde.

Como aqui no Brasil pouco se cria e muito se copia, e some a isso o encantamento da população às tendências dos grandes centros mundiais, nosso país não poderia ficar de fora dessa onda mercantilista da saúde no cenário mundial. Eis que os nossos compraram e também difundiram a idéia da realização dos check-ups como uma das estratégias mais interessantes para realizar prevenção em saúde, claramente uma visão do modelo médico privatista.

Os brasileiros, indepente da sua classe social e da acessibilidade que possuem a bens e serviços, passam a frequentar clínicas e unidades de saúde direcionando e até exigindo dos profissionais a bateria de exames que dá corpo aos check-ups. Algumas pessoas passaram inclusive a rotular negativamente profissionais médicos que, ao final da consulta, não lhes forneciam as tão desejadas "guias para realização de exames".

Fala-se até em check-ups básicos, completos e até personalizados.

Para uns, mais abastados e com disponibilidade de planos de saúde de boas coberturas, a realização dos exames flui de forma simples e provavelmente sanará as duvidas até então instaladas quanto ao atual quadro de saúde desses indivíduos. Porém, para outros, que representam a maior parcela da população e não possuem recursos e acesso a serviços com tecnoligias de ponta, terminam por cobrar do Sistema Único de Saúde uma resposta semelhante a vivida nos serviços privados, posturas totalmente avessas à logica do sistema e a forma como ele é pensado, gerido e executado.

Os prórpios profissionais, por vezes descontentes com a falta de suporte e de capacidade instalada para execução de suas atividades, por vezes boicotam o sistema incluindo a lógica dos check-ups numa rede em que se preconiza a adscrição de clientela, conhecimento do território e atuação in loco, correspondente às necessidades de saúde conforme elas se apresentam. Isso está muito claro e bem formatado nos objetivos do programa de saúde da família, por exemplo. O grande equívoco é a população continuar sem entender como essa rede funciona e manter profissionais que alimentam uma lógica organizacional paralela e concorrente aos princípios do SUS.

Dessa forma, o SUS de qualque lugar não consegue dar conta às demandas. São desferidas solicitações de exames indiscriminadamente, tudo porque "usuário satisfeito é aquele que sai com sual solicitação de exame nas mãos". Para queixas de dores de cabeça, tomografias, dores na coluna, ressonâncias, queixas de dores articulares, raios-x, dores estomacais, endoscopias e quanto mais complexo o procedimento, melhor. Por vezes, medidas sanitárias e de educação em saúde são suficientes e mais direcionadas para resolução de problemas dos indivíduos de várias comunidades, mas...

É duro ver pessoas carentes terem que se expor e até se humilhar, procurando meios os mais diversos possíveis para realização de exames e procedimentos que atendem à lógica dos check-ups, mas não levam em conta o social e as prioridades dos indivíduos e de uma população.
Por isso que um dos princípios do SUS é a equidade e é realmente necessário tratar de forma desigual os desiguais, direcionando mais atenção e suporte para aqueles que têm mais necessidades.

Tenho a convicção de que fazer check-up é ótimo. A possibilidade de se monitorar ou de descobrir alguma patologia ainda em estágio inicial traz alento e conforto àqueles que têm essa possibilidade. Mas, também tenho a certeza que essa é uma linha de pensamento que vai de encontro às prerrogativas do SUS e não traz possibilidade de acesso a todos.

Sob pena de não ver seus programas sucumbirem diante dessa lógica de mercado, aqueles que fazem o Sistema Único de Saúde precisam oferecer serviços mais qualificados aos seus usuários, necessita que estes acreditem no potencial de suas ações e que invistam nos profissionais, para ao inves de serem concorrentes, serem parceiros dessa proposta. Caso contrário, prevalecerá a lógica do mercado, prevalecerá a lógica dos check-ups nos serviços públicos de saúde e constituirá sempre uma grande barreira a consolidação do SUS.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Blogs de Saúde no Best Blog Brasil

Para quem não conhece, o Best Blog Brasil realiza desde 2007 uma votação para identificação dos melhores blogs nacionais em várias categorias: saúde, entretenimento, humor, ciência, tecnologia, podcasts e por aí vai.

Nessa ano o Best Blogs trouxe 30 categorias a serem analisadas e premia os vencedores pelo julgamento do público em geral e pelo um juri. A premiação do juri acontecerá durante a Campus Party no sábado, mas a votação e eleição dos blogs pelo púlbico jpa foi concluida.

Confira agora o resultado da avaliação pelo público:

Como vocês podem ver acima, esses são os 10 finalistas da categoria saúde. Três dos blogs, em especial, que eu assino feed e curto são o Blog da Alergia, o My Blog Health e O cientista os quais eu recomendo leitura e assinatura. Mas, vale a pena dar um pulinho em cada blog e conferir vocês mesmo os conteúdos de cada um.

AGORA, AS "TRISTES" CONSTATAÇÕES...

Apesar de termos identificados os blogs "mais populares" da área de saúde, alguns fatos merecem ser analisados com a cautela e a crítica que se faz necessária:

- Tivemos APENAS 1014 votos para os blogs da área de saúde, contra os mais de 6000 votos dos blogs de humor, por exemplo.

- São poquíssimos os blogs que dedicam-se a tratar as temáticas de saúde com cunho crítico-informativo e/ou de caráter científico. Os blogs existentes geralmente são particulares ou institucionais e devido às suas vinculações e políticas não podem discutir determinadas temáticas com a liberdade e "imparcialidade" (se é que isso existe!) que os assuntos requerem.

- A quantidade de votos arrolados, mesmo com todo o lobby realizado pelos próprios blogs que foram indicados, traz números baixos em comparação a outros assuntos e temáticas da grande rede. Demonstra que a web ainda é mais um campo de divertimento e lazer do que de crescimento e difusão de conteúdos de relevância.

- Só para constar. Eu também assino feeds de blogs de divertimento e entretenimento (porque também ninguém é de ferro! rsrs) e de forma alguma estou fazendo críticas a eles, sempre separo o joio do trigo. Vou apenas provando que para a cultura nacional, mais vale uma boa piada do que saber quais os avanços genéticos da última década, por exemplo - e particularmente, acho que os dois valem a pena e tem tempo e espaço para os dois ou mais

Quem sabe para 2009 o PENSO não está lá figurando entre os mais lidos da área de saúde hein. Trabalharemos para isso!

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Precisamos salvar vidas: desfibriladores já!!!

Vejam, não é a toa que óbitos por causa circulatória/cardíaca lideram o ranking de causa mortis no país. Tá certo que a existência por si só de desfibriladores em locais de grandes concentrações populacionais não garante a sobrevida das pessoas, mas com certeza eleva em muito as chances de salvar pessoas de mortes súbitas decorrentes de complicações cardíacas, arritmias e paradas cardíacas.

Segundo a Sociedade de Cardiologia e o cardiologista Agnaldo Pispico, "em média, 820 pessoas têm morte súbita a cada dia no Brasil" e "o acesso público ao desfibrilador pode fazer com que a sobrevida nesses casos suba de menos de 2% para 40% a 45%, em média.".

Mesmo após a morte do jogador Serginho do São Caetano em 2004 no jogo contra o São Paulo, em que se acendeu toda uma discussão sobre a falta de preparo no trato de vítimas de maus súbitos como aquele e da inexistência de equipamentos básicos (até a falta de ambulância nos locais dos jogos!), até hoje continuamos sem nada que legisle e garanta de forma legal a uniformidade de adequação desses espaços com equipamentos capazes de salvar vidas.

Alguns Estados e cidades, por conta própria e iniciativa dos legisladores locais, caso de São Paulo e Paraná, já avançaram na formatação de instrumentos que garantam a existência de desfibriladores / DEA´s (desfibriladores externos automáticos) em locais de grande contingente de pessoas, caso de caxas de show, estádios de futebol, entre outros espaços. Porém, ainda sim instituições e organismos teimam em desrespeitar as normas e não disponibilizam o referido equipamento.

São equipamentos caros, que giram em valores superiores a R$ 5.000,00, mas que apresentam no seu custo-benefício uma eficácia direciona qualquer esforço no sentido de adquirí-lo, seja para salvar vidas e atender as determinações que estão postas.

Nesse sentido, o governo brasileiro precisa ser mais incisivo e criar alternativas para que facilite a aquisição desses equipamentos e um custo muito menor e pressionar os legisladores para que tracem condutas que sejam acompanhadas e obedecidas pelos demais Estados e municípios da federação, e não apenas esperar que essa seja iniciativa da consciência de cada governante em seus espaços.

É preciso difundir práticas e técnicas básicas de suporte básico de vida e de utilização de DEA´s na população brasileira. Com isso, haverá muito mais possibilidade de salvar pessoas quando tivermos mais pessoas conscientes do seu papel e com conhecimento suficiente para fazer o básico até a chegada de serviços de maior complexidade.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Quando a "patente" precede a pessoa

No mundo de hoje, especialmente no ramo da saúde e mais especificamente no campo da saúde pública, algumas pessoas com o intuito de ganhar notoriedade, deixam de ser elas mesmas, perdem as suas identidades para serem amigos, cumpadres ou conhecidos de outros que são detentores de algum tipo de poder ou possuem algum destaque na sociedade.

- Ei, você sabe quem sou eu? eu sou amigo primo-irmão do prefeito de Cabrobó de Dentro!!!
- Boa tarde, meu nome é Givanildo e sou parente do mega-empresário Dr. Wilson Carvalhal!!
- Quem é o Sr? --> - Eu sou policial!!! --> O nome do Sr. é "policial?
- Você sabe com quem está falando???

A sociedade de forma geral tem cultivado a perspectiva de que a imposição de respeito está intimamente atrelada ao que a pessoa é e/ou representa. Caso não possua uma formação de destaque ou tampouco represente qualquer instituição de credibilidade no mercado, essas pessoas passsam a ser nada sob esses tortuosos olhares. Dessa situação que surgem os maltratos, os abusos de poder, a banalização e menosprezo de outros sujeitos que não fazem parte dessa "rede social".

A busca por "ser alguém" e pelos holofotes da grandeza chega a motivar pessoas a utilizarem dos artifícos mais rasteiros possíveis, sobretudo com colegas de trabalho, com o intuito de galgar cargos e funções reconhecidamente importantes. Não medem esforços e esquecem qualquer resquício de ética e moral que por ventura ainda possa existir.

Essas foram situações que pude vivenciar de forma mais aguda quando trabalhei na gestão de serviços de saúde de alguns municípios. A avidez e a ganância com que as pessoas lutam por esses espaços é algo fora do normal e sempre apresentam-se trazendo colado aos seus nomes o cargo que ora ocupam, tentativas implicitas de deixar claro que são e representam alguma coisa, portanto, "são alguém"!

E tem mais!! É um terrível engano achar que as pessoas indicadas são a melhor força de trabalho em função da confiança que se deposita ou pelo "puxa-saquismo" que realizam. Essas são na verdade as pessoas que darão maior dor de cabeça aos gestores. Tentarão a todo momento gozar de um suposto status que acham passar a desfrutar em função do poder da indicação que carregam. Não respeitam normas, regras, não cumprem pactos, não executam seus trabalhos e ainda são intocáveis. O perfil dessas pessoas é exatamente daquelas que, fracas tecnicamente e impossibilitadas de fazer frente a outros profissionais num justo processo seletivo, vão pelo caminho da "camaradagem" e assumem as "patentes" tão desejadas.

Faço esse registro porque acho o momento crucial. Estamos no início das gestões das prefeituras Brasil afora, período em que os quadros de pessoal estão sendo recompostos e novas equipes de trabalho estão sendo formadas. Em especial nas Secretarias de Saúde, hoje tão politicamente cobiçadas dado aos montantes financeiros e de pessoal que gerem, essas lutas hão de se acirrar, pois quem já está não quer "deixar de ser alguém" e quem estar fora quer entrar.

Os gestores municipais, prefeitos e secretarios devem nesse momento deixar vaidades à margem da escolha de seus pares e levar em consideração o compromisso, a simplicidade, a capacidade técnica e a força de trabalho dessas pessoas que passarão a construir e (re)organizar a saúde dos municípios do Brasil. Esqueçam os figurões e os emblemas!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Como ficar doente

Ótima matéria de Ivan Lessa da BBC Brasil. Segue na íntegra abaixo

Em primeiro lugar, há que se escolher uma doença pouco complicada. Uma doencinha, digamos. Não vamos complicar muito as coisas. Pode ser muito bonito e encher a boca, mas um diplococus assemiático ou uma renhite gastrointestinal é coisa pra gente grande e, pé de pato, mangalô três vezes, geralmente acabam em besteira da grossa.

Sejamos docemente comuns. Fiquemos numa gripe. Não resfriado, que esse se tira de letra. Dizem. Gripe. Gripe biguana. Daquelas de derrubar. Combinado assim?

Então vamos à segunda parte da questão.

Onde ficar doente? Onde ser derrubado por uma baita gripe? Em qualquer parte daquele que já foi chamado de Terceiro Mundo e, agora que tirou o mestrado virou Mundo em Desenvolvimento, é melhor não.

Quer dizer, há médicos de escola e escolaridade superior, mas mesmo assim eles ainda não conseguiram um remédio garantido para o gripe. Ou sequer o resfriado. Receitam aspirina, ou paracetamol (só para mostrarem que se pegaram um diploma no Mundo Desenvolvido), muito líquido e descansar. Ficar de molho, em sumo.

Sim, sim, há vacinas. Não conheci uma única pessoa, com qualquer idade, broto ou provecto, que uma vez vacinada tenha chegado até os amigos e, com um sorriso idiota na carona, tenha dito, "Eu estou completando esta semana 6 anos sem gripe ou resfriado". Filho da mãe. Como se fossem 6 anos sem botar um cigarrinho na boca, cheirar uma fileira ou se injetar com heroína. As vacinas antigripais são uma lenda urbana propagada pelos laboratórios. Para variar. Marcam um dia da semana, você vai até o consultório, nem vê o médico, e é vacinado por uma enfermeira que invariavelmente acrescenta depois da picadinha, "Tá vendo? Não doeu nada."

Minha senhora, por mim poderia doer pra burro, contanto que funcionasse. Que eu não fosse obrigado a ficar cuidando de não pegar um vento encanado ou me molhar na chuva.

Resumindo: não ficar gripado na República Democrática do Congo, mesmo em semana sem genocídio. Gripe é para a Zona Sul carioca até, no máximo, 1965. Ou então Nova York, Roma, Paris e Londres nos dias que saudavelmente (canalhas) correm. Em qualquer cidade onde Chanel tenha um estabelecimento comercial devidamente estabelecido e concorrido. Não vai adiantar nada para a gripe, mas não deixa de ser reconfortante saber que, em algum ponto da cidade, há uma loja da Chanel.

Sejamos francos. Ficar em casa 3 ou 4 dias seguidos, sozinho, com a gata te estranhando, é sacal. Duro mesmo. Os olhos lacrimejam, os ouvidos se fazem surdos ao som gordo em altíssima fidelidade no aparelho novo, onde não há CD de jazz com matriz recuperada e digitalizada que diga alguma coisa.

Lá está, numa tarde de segunda ou terça-feira, na sala, a televisão em LCD, alta definição, 37", som surround, mostrando jovens que um dia serão "celebridades" falam inanidades, com voz de débil mental, para crianças não muito ladinas também. Impossível ver a reserva de coisas gravadas. É uma afronta aos olhos e à sensibilidade. Livro? Nem pensar. A programação é diferente.

Tossir o mais baixo possível, mesmo que seja o tempo todo, para não assustar a gata, que, como você, já não é lá tão jovem assim. Desistir de ir ensopando lenços e - assumamos nossa condição -- pegar um lençol de uma vez. Não conferir em hipótese alguma se a febre lhe faz companhia. Claro que você está febril. Eu falei que era gripe e não resfriado. Melhor, no entanto, não piorar as coisas. Há que se tentar fingir-se de forte.

Só mais um copinho de suco de laranja. Não falam que fruta cítrica é o melhor remédio para essas coisas? Então... Seguido desse ótimo recém-descoberto de lixía. Não esquecendo do de papaia. Pena que o de uva (Welch's, claro) tenha acabado.

Ao menos, na terça-feira fez um solzinho e a temperatura estourou lá pelos 14 graus dos nossos. Segunda foi uma barra. Gripe em casa e chuva lá fora, essa combinação letal nem o Tito Madi resolvia.

Não lutar contra a vontade de se esparramar no sofá. Depois de uma boa chuveirada, roupinha limpa (nunca usar pijama quando gripado), passar a colônia Ach. Brito portuguesa em doses cavalares pelo corpo todo. Você pode não sentir o cheiro. Mas ele está lá. Esperando - mais: estimando - as suas melhoras. Como Chanel.

Pode capotar descansado entre 4 e 5 da tarde de um dia de semana. Afinal, você está gripado. Por alguns dias, com sorte horas, o mundo girou em torno de você. Embora ninguém tenha visto ou ligado e apenas você sentiu o delírio. Só pode ter sido o raio da febre.

Transplante de traquéia é evolução da medicina

Foi nessa semana que foram divulgadas e noticiadas informações acerca do primeiro transplante de traquéia, ocorrido com seres humanos, na cidade de Barcelona (ESP), sendo a então privilegiada a colombiana Cláudia Castillo de 30 anos. Até então transplantes desse tipo só haviam sido realizados experimentalmente em porcos e em cinco pessoas no mundo inteiro.

Cláudia sofria de sequelas de uma antiga tuberculose pulmonar que prejudicou seriamente sua traquéia e pulmão esquerdo. A possibilidade do transplante surgiu como uma opção à retirada cirúrgica do pulmão esquerdo e envolveu profissionais de vários países como Itália, Espanha, Portugal e Inglaterra.

O grande lance da realização do transplante não foi a coragem da equipe e de Cláudia em se submeterem a um procedimento até então pouco testado, mas ao pioneirismo da técnica que evitou a risco de reijeição pela implantação de células tronco da própria paciente no órgão trasnplantado.

Isso é um marco na medicina pois aumenta as possibilidade de realizar novos transplantes com menores riscos de reijeição, com a redução do uso de drogas para o tratamento pós-transplante e com a possiblidade de se aventurar na transplante de outros órgãos e tecidos do corpo humano.

A traquéia do doador foi lavada para remoção das células antigênicas capazes de estimular a resposta de rejeição do organismo. Após esse procedimento, foram então aplicadas células-tronco medulares da própria paciente na traquéia selecionadas através de um bioreator na Itália. A tra´quéia então pronta e moldada, foi transplantada na cidade de Barcelona e Cláudia passa bem, com riscos quase nulos de acontecer uma rejeição do órgão.

Apesar de terem logrado êxito no transplante, a Sociedade Portuguesa de Transplantes e outros órgãos, mesmo felizes com o sucesso do procedimento, preocupam-se com o custo envolvido para realização da cirurgia que fora elevado, o que desde já configura uma barreira ao acesso de outros pacientes em iguais necessidades e pode ainda causar pressão nos órgãos governamentais e demais instituitos de saúde exatamente pelas pessoas que dependem de procedimentos como esse para sobreviver.

(*) Mais notícias aqui, aqui, aqui e aqui!

Atualizando: Essa notícia do transplante usando células tronco da própria paciente fica ainda melhor com a notícia de que Pesquisadores da UFRJ conseguiram multiplicar células tronco com um biorreator que está sendo considerado o aparelho mais moderno do mundo e é capaz de dobrar a produção de células tronco embrionárias.

(**) Por notícias como essas é que os cientistas brasileiros estão sempre envolvidos nas maiores descobertas do mundo

O hospital mais antigo do mundo

(Baseado nos post do História da Medicina e do Ecce Medicus)

A BBC, em setembro desse ano, publicou uma reportagem na qual levantava suspeitas sobre o Stonehenge configurar um Healing Center, uma policlínica dos tempos antigos em que as pessoas para lá se diririgam em busca de melhorias da sua situação de saúde e da cura de seus males.
Essas suspeitas surgiram após a realização de escavações recentes na área que modificou a data da construção em 300 anos, deixando-a mais velha e pelo número de corpos-ossadas encontrados enterrados nesse local. E, apenas para situar-se no tempo e no espaço: estamos falando do perído de 2440 a 2200 a. C. !!!
Sgundo as fontes das matérias, os hospitais surgiram na Europa durante a Idade Média e eram originalmente lugares afastados das cidades, geralmente tocados por religiosos, que recebiam e cuidavam de viajantes, peregrinos, andarilhos, que chegavam até eles debilitados pela jornada, quase sempre famintos e precisando de um bom banho. Daí vem a palavra hospitalidade.

As evidências encontradas nas escavações (as únicas realizadas nos últimos 50 anos) indicam que Stonehenge era o destino final de peregrinos que buscavam nas pedras azuis a cura para suas injúrias. Isso porque os restos dos que morreram ali mostram que eles tinham sinais de lesões ou doenças e que não eram habitantes da região.
Obviamente, ainda não há consenso entre os arqueologistas e outras hipóteses continuam fortes, como aquela segunda a qual Stonehenge era um imenso calendário que os homens pré-históricos construíram para se programar melhor para a mudança de estações.
(**) Ecce Medicus - leva a marca do Lablogatórios. Também indicado

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Impressionante: efeitos do cigarro no nosso corpo em experiência

Esse vídeo eu achei fantástico e peguei lá do Saber é Bom Demais (apud Blogoiaba). O cara usa uma parafernália e sugere/simula na sua experiência, após "fumar" 400 cigarros, o que pode acontecer ao nosso corpo. Só vendo para crer! E vale a pena mesmo ver o vídeo.


Olhem a cor da água e a "torrada" no final

(*) Post especial para os meus amigos fumantes. Larguem esse vício!
(**) Tiago, Lucas e Tom Bar, novamente nõ esqueci de vocês!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

SimMan 3G: o novo robô cobaia que pode revolucionar os estudos da área de saúde

O SimMan 3G é um desses super robôs desenvolvidos pela Laerdal, empresa dedicada a podutos médicos e treinamentos, especialmente na área de emergências.

O SimMan, na verdade, é um "simulador de paciente" e, além de sinais como choro, tosse, sangue, vômitos, suor e fala, o robô traz imbutido em seu sistema alguns features a mais e simula situações clínicas tais como: infarto agudo e síndromes coronarianas, politraumatismos, reações anafiláticas, choque hipovolêmico, patologias e descompensações respiratórias, entre outros agravos e situações, com respostas adequadas a cada intervenção feita no robô.

Só não consegui observar detalhes sobre o preço, mas, não deve ser nada atraente. Porém, levando-se em consideração o custo-benefício, a melhoria da qualidade na formação de profissionais da área de saúde e a não utilização de coabias humanas para testes e/ou treinamentos, o investimento está justificado.

Atenção centros de formação e escolas de saúde Brasil afora. Essa não é uma realidade distante

Matéria do Update or Die

TPM atrapalha 431% dos entervistados... ?????

Post do Jacaré Banguela

Matéria de um Jornal de Jaraguá do Sul (SC)


Pois é. A TPM é tão problemática que afetou 431% os entrevistados segundo a soma acima. E acho que o cara que fez a matéria deve estar convivendo com uma mulher daquelas...

Travesti grávido e jovem "enganado"

Essa eu peguei do Verdade Absoluta. Deixo os comentários por conta de vocês. Segue abaixo a matéria.

O amor algumas vezes realmente é cego, mudo e sem tato. Um jovem de 19 anos se apaixonou por uma mulher, ela engravidou e o casal foi morar junto. Tudo como manda o figurino, isso se seis meses depois ele não descobrisse que ela não poderia engravidar, não tinhanem mesmo os órgãos sexuais femininos e, na verdade, era um travesti. Com a revelação, na última quinta-feira, ele teve que ser hospitalizado.

O rapaz a conheceu em um bailão há cerca de seis meses e foi amor à primeira vista . Os dois apaixonados mantiveram relações sexuais e, no fim da “festa”, se despediram. Um mês depois, a jovem bateu na porta da família do ficante e pediu abrigo: ela estava grávida do jovem de 19 anos.

A sogra adorou a surpresa e prontamente aceitou a nora de braços abertos. O futuro papai também ficou feliz com a novidade. A barriga começou a crescer e os dois viveram alguns meses em perfeita harmonia, até que a relação começou a passar por algumas crises amorosas.

Entre uma discussão e outra, a mulher apanhou e, acompanhada da sogra, foi até a delegacia para registrar um Boletim de Ocorrência. No local, deu o nome de Bruna de Souza. Rapidamente, o sistema informou erro, não havia ninguém com este nome. “Começamos a suspeitar de algo errado. Mesmo apresentando uma gravidez aparente, pensamos se tratar de alguém que havia fugido de casa ou que estivesse com mandado de prisão em aberto. Passamos a investigar quem realmente era aquela moça”, informou o delegado.

Para a surpresa dos investigadores e mais ainda da família que abriu as portas para a Bruna, a moça era um homem de 19 anos. O susto foi tão grande que o companheiro teve que ser internado às pressas no hospital do município: ele teve um mal súbito com a notícia de que a mulher era marido.

O jovem não entendeu nada porque o casal mantinha relações sexuais e ele não havia percebido que a moça tinha órgãos masculino. “O rapaz contou que sempre que se relacionavam, ela apagava a luz e comandava as ações. Em todos estes meses, ela não havia permitido que o companheiro tocasse as suas partes íntimas e, por isso, ele não percebeu nada”, explica o policial.

Já sobre a gravidez de Bruna, era apenas uma reação psicológica. Ela acreditava tanto que estava grávida, que o corpo passou a desenvolver abarriga. “O travesti aparentemente era uma mulher, enganava bem e não tinha os traços masculinos”, acrescentou o policial. O caso foi encerrado e o casal, a princípio, iria se separar.

a) Depois dessa ele ficou conhecido como “Ronaldo do Bailão”
b) Moral da história 1: Nunca se apaixone à 1ª vista por alguém que você conheceu no mictório ao lado.
c) Moral da história 2: Se a sua mulher SÓ quer fazer sexo anal, você NÃO é um cara de sorte.
d) “Amor, que clitóris grande você tem. Mal cabe na minha boca!”
e) O nome que eles iam dar pro filho eu não sei, mas aposto que o apelido ia ser “Lombriga”
f) O pré-natal vai ser no urologista.
g) Hum, como assim “a princípio”?
h) Comandar as ações durante a relação = Ativo. Ok?
i) Mudo? Então ele já tinha engasgado…

(*) Eu acho que o interessante da matéria é a gravidez psicológica não acham? Não percam o foco hein!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

No ritmo que o coração precisa: música do Bee Gees pode salvar vidas

Cada dia sai mais uma dessas!

Uma matéria da seção Mundo do jornal Gazeta do Povo afirmou, segundo pesquisas realizadas, que a música do Bee Gees, Stayin' Alive, que bombou nos anos 70 nas danceterias do mundo afora, pode salvar vidas.

Segundo os estudiosos, a música tem na sua batida a frequência ideal para realização das compreesões cardíacas em pacientes com parada cardiorespiratória. De acordo com a American Heart Association, que protocola e uniformiza as ações em situações de PCR (parada cardiorespiratória) conforme os guidelines de 2005-2006, as compressões em situações de PCR, devem ser realizadas da ordem de 100 compressões por minuto. E a música Stayin' Alive tem 103 batidas no ritmo do refrão.

Interessante essa pesquisa, porque um sem número de pessoas pelo mundo afora desconhece técnicas de suporte básico de vida que podem ser aplicadas para pessoas vítima de parada cardíaca e/ou respiratória e assim ampliar as possibilidades de sobrevivência das mesmas. O mesmo manual que rege sobre as condutas diante de paradas cardiorespiratórias tambem afirma que não existe suporte avançado de vida se não existir um suporte básico bem feito até a chegada do serviço especializado.

Associar as práticas do suporte básico a formas mais criativas de apreensão de conteúdos, caso da música do Bee Gees, amplia a capacidade de absorção das informações pelas pessoas e afugenta o medo das pessoas no exercício dessas práticas.

Vejam abaixo a música e confiram!



(*) Humor negro: o paciente parou!!!!! Toca um Bee Gees aê...
(**)Imaginem a cena: os cursos de emergência, no momento das práticas de RCP (ressucitação cardiopulmonar), tocando Stayin' Alive
e o pessoal treinando
(***) Agora pensem a mesma cena dentro de um hospital... como tem doido pra tudo, não duvidem!
(****) Quem foi o doido que ficou ouvindo e contando as batidas da música hein?!?!?

Resultado Final do Projeto Parece simulação, mas é real. Parece real, mas é simulação

Segue abaixo relacionados os resultados da simulação do processo seletivo para ingresso em instituição hospitalar segundo colocação, identificação e resultado final:


FACULDADE DE TECNOLOGIA E CIÊNCIAS – ITABUNA/BA
CURSO DE ENFERMAGEM - ESTÁGIO SUPERVISIONADO II
PARECE SIMULAÇÃO, MAS É REAL, PARECE REAL, MAS É SIMULAÇÃO
Simulação de Concurso Público para ingresso em Instituição Hospitalar

RESULTADO

(*) As provas e gabaritos serão entregues no dia 12 de novembro de 2008.
(**) O critério de desempate utilizado deverá ser esclarecido com os organizadores

sábado, 8 de novembro de 2008

Gerenciamento de Risco na unidade hospitalar

No dia 30 de outubro aconteceu no Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães, na cidade de Itabuna - BA um Workshop abordando o tema gerenciamento de riscos na unidade hospitalar.

Nessa oportunidade, os discentes de enfermagem da FTC do último semestre, junto com alguns alunos de nutrição, tiveram a oportunidade de abordar de uma forma bem descontraída e dramatizada situações reais do cotidiano hospitalar e que podem trazer agravos para todo o público que frequenta esse espaço, que vai desde os profissionais e trabalhadores em saúde aos acompanhantes e pacientes desse nosocômio. Foram abordadas então os temas sobre a nutrição hospitalar, o papel dos acompanhantes, a observação de sinais de riscos para uma possível parada cardiorespiratória, os riscos para acidentes de trabalho bem como a boa manutenção e destreza dos equipamentos hospitalares, todos com um enfoque crítico-reflexivo e deixando a mensagem que gerir riscos também é salvar vidas.

Agradeço de coração ao empenho e dedicação dos discentes de enfermagem da FTC, os verdadeiros protagonistas desse show e sem os quais nada disso teria acontecido.

Parabéns, vocês fizeram e fazem a diferença!!

(*) Veja a matéria no site da FTC - Itabuna aqui
(**) Os abraços especiais vão para: Lucas Prancheta, André Psico, Mariana Morrão, Jaqueline Digoxina, Alex Boneco de Olinda, João Anamnese, Fabrícia artista da Globo, Marcelle Mamãe, Luciolla Perigo, Deniiiiiise carioca, Tilly (tem que ter tilly), Cauanna das fotos (afffff!), Vânia Trem Bala (raspa, raspa, raspad...), Térsila Trem Bala II (raspa, raspa, raspad...), Allana e Márica, as intensivistas (:P)
(***) Abraço especial 2: para a Tia Lu Nobre... beijos enormes!
(****) Abraço especial 3: aos alunos de nutrição e ao público que prestigiou o evento. E a salada de fruta: sim, ela estava maravilhosa!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A culpa é do paciente que não melhora!

Algum de vocês já viram uma situação dessas?

Profissionais de saúde como médicos, terapeutas, psicólogos, após tanto tempo acompanhando e tratando seus pacientes e sem conseguir "algum" êxito nos seus intentos, acabam por atribuir a culpa de não melhoria aos próprios pacientes! E isso acontece porque esses trabalhadores de saúde, orgulhosos de suas profissões e detentores de conhecimentos científicos capazes de gerar alternativas e possibilidade de tratamento àqueles que demandam cuidados de saúde, não admitem que alguns pacientes fogem às suas habilidades clínicas e capacidades terapeuticas, e aí se instala o problema.

Uma matéria muito interessante tratando sobre o assunto foi publicado no portal G1 Ciência e Saúde no dia 22 de outubro. Conforme destacado pelo professor de psiquiatia Richard A. Friedman da Weill Cornell Medical College e que assina a matéria, alguns pacientes nutrem o desejo de permanecerem "doentes" e de preservar todo o status quo que sua situação de enfermo agrega para si próprios. Nesse momento, esses pacientes passam a serem observados como centrais nas situações, recebem atenção diferenciada pelos seus amigos e familiares e terminam frustrando os profissionais que os acompanham, pois tentam a todo custo "curá-los" da patologia então instalada e fazer com que voltem ao "estado de normalidade", por eles então considerado e desejado.

Trazendo algumas ilustrações e experiências vividas por outros profissionais, o professor traz à roda de discussão a necessidade desses mesmos profissionais refletirem sobre as reais necessidades dos pacientes e ampliar as capacidades e sensibilidade para compreender os reais desejos dos seus "enfermos". Atitudes como estas auxiliarão no processo de "melhoria" desses pacientes e com certeza redirecionará toda a prática e conduta desses profissionais, fugindo, sobretudo, ao cientificismo com que são realizadas muitas das práticas em saúde nos dias atuais.

Vejo que essas perpectivas põe em xeque ainda as condutas mecanizadas e a grande dependência de tecnologias pelos profissionais na resolução de casos clínicos. Sempre é importante lembrar que as práticas em saúde não podem estar desvinculadas do cenário em que esse indivíduo está inserido e como os condicionantes sociais desse contexto interferem positivo ou negativamente no quadro clínico dessas pessoas. Acho que o texto do professor Richard, nas entrelinhas, também aponta para caminhos mais simples e autônomos como alternativas de tratamento.

Bem, leiam a matéria, vale a pena, com certeza.

E lembrem: a culpa não é do paciente. Tudo está relacionado com a forma como você ênxerga e deseja o mundo.

Para os mais céticos e que carregam de forma aflorada todo o seu arcabouço tecnocientífico como infalíveis no tratamento dos seus pacintes, aí vai uma dica: se a situação ficar feia e nada mais funcionar, está na hora de chamar pelo Dr. House.


(*) Agradecimento ao colega Marcos pela indicação da matéria

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Brasil é exemplo na atenção básica à saúde.... o que?? como??? ..ânh???

Pois é... matéria publicada no portal G1 no dia 14 de outubro trazia como manchete o Brasil como grande exemplo a ser seguido na atenção básica de saúde.

Lendo a matéria, fica claro que o relatório elaborado pela Organização Mundial de Saúde, intitulado World Health Statistics 2008, é muito mais uma tentativa de sugerir aos países do globo a instituição de políticas diferenciadas de atenção à saúde, sobretudo aos países ricos, em que o nível de especialização é tal qual que encarece os serviços e impedem um grande quantitativo populacional de ter acesso aos mesmos, dado a incompatibilidade financeira que nesse momento se instala e dos modelos então adotados em cada espaço, com grande força dos serviços particulares/privados.

Nessa perspectiva, aí sim o Brasil figura com modelos alternativos de organização dos serviços de saúde, frutos inclusive das incessantes lutas dos movimentos de reforma sanitária que se inicaram no fim da dédaca de 70 e inico da década de 80, no qual prevê o fortalecimento das ações primárias de saúde como a grande saída para elevar o nível de saúde populacional e evitar grandes custos com procedimentos e recursos de maior complexidade, boa parte deles evitáveis com o fortalecimento desses serviços de atenção básica.

O Brasil traz hoje emplacado na política pública governamental a estratégia do Saúde da Família como alternativa de dinamizar o sistema, potencializar os cuidados primários de saúde, evitar complicações de agravos, trazer os serviços para dentro das entranhas das comunidades e com ela vivenciar os problemas e buscar sempre soluções, articuladas com os demais serviços existentes.

Maravilhosa seriam essas premissas e objetivos do fortalecimento da atenção básica se não estivéssemos tão longe da qualidade e dos resultados satisfatórios que foram destacados no relatório da OMS.

Os princípios que fundamentam o SUS da equidade, hierarquização e descentralização dos serviços, integralidade das ações, controle e participação social e especialmente o fundamento da universalização do acesso aos serviços - que é o grande foco da discussão no relatório da OMS para ser "difundido" entre os demais países do globo - foram muitíssimo bem elaborados o que torna a legislação de saúde brasileira uma das mais avançadas do mundo. Mas, não fugindo à regra como acontece sempre no Brasil, há um grande abismo entre aquilo que é proposto legalmente e a sua concretização prática, o que torna falacioso alguns destaques do relatório da OMS que exaltaram a qualidade dos serviços de atenção básica no cenário nacional.

Tenho a convicção de que muito já se caminhou na implementação de serviços, mas é interessante perceber que já passados 20 anos de constituição e da elaboração e planejamento do SUS, ainda hoje falamos em construção do sistema e não apenas na sua consolidação.

Sendo assim, penso que muitas idéias e fundamentações das políticas públicas de saúde do Brasil possam ser utilizadas como ferramentas de apoio para a construção de sistemas de saúde mais igualitários pelo mundo afora, mas, lembrem que por aqui ainda há muito o que se avançar e construir. O modelo daqui pode não ser o mais viável para os países com condições sócio-econômicas e interesses diferentes dos nossos e o Brasil não pode ser nunca citado como exemplo de um país que realmente faz valer a sua legislação, seja ela em qual área for.

Sabe a história do faça o que eu digo, mas não façam o que eu faço...

(*) Para ver o relatório da OMS World Health Statistics 2008 clique aqui - ops!, só tem em versão inglês

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Gás do "pum" trata hipertensão????

Peço desculpa aos meus mais sérios leitores, mas não resisti a publicar essa:

Matéria do G1: Gás do Pum pode ajudar a tratar pressão alta, diz estudo

Agora lá vem: será que um mix de ovo frito, repolho, batata doce, cebola e um copinho de cerveja vai ser o coquetel do futuro para controlar a pressão arterial.... essa deixo pra vocês responderem

Financiamento do SUS: a conta é de quem?

Na semana passada, vi alguma pessoas aparecerem na televisão reclamando dos recursos financeiros estaduais que são repassados para o combate e controle da dengue, insuficientes, segundo os então reclamantes. Todos eles funcionários da saúde de um município e que lidam diretamente com o agravo em questão. Também trazia associados aos seus discursos, naquele momento, o descontentamento pelas suas atuais condições de trabalho, pela precarização dos seus vínculos trabalhistas e as veementes cobranças que têm sofrido nos últimos dias em função do crescente número de casos de dengue na localidade em questão.

Ora, até aí nenhuma novidade. É sabido por todo povo brasileiro que os recursos financeiros repassados pelas instâncias federal e estadual para os municípios é insuficiente para o custeio das ações em saúde, o que demanda grandes investimentos municipais para garantir um mínimo de atenção à saúde aos seus munícipes.

Entretanto, no momento em que assistia o discurso daquele trabalhador de saúde e a forma tão eloqüente com que abordava o assunto em pauta, resolvi então assumir aqui uma postura diferenciada da sempre marcada defesa aos municípios no que tange ao financiamento do SUS.
Revolta-me quando vejo pessoas irem aos meios de comunicação e tratar a temática do financiamento como se fosse algo alheio à sua responsabilidade como cidadão ou como se fosse competência única e exclusiva das demais instâncias federadas, deixando os municípios numa posição “confortável” de mártires, grandes vítimas dos descalabros sofridos pelo insuficiente aporte financeiro que lhes são destinados!!! Ohhhh!!!

Aqui vale lembrar que a partir do momento em que se iniciaram os processos de descentralização dos poderes e recursos, o grande movimento de municipalização da saúde, os municípios deixaram de ser meros operadores do sistema e passaram a assumir papel protagonista na gestão de saúde de suas localidades – pelo menos é que se preconiza. Isso implica na elevação da capacidade de gestão local, o planejamento e execução de atividades mais específicas e direcionadas às distintas realidades e também O FINANCIAMENTO MUNICIAL das ações e serviços de sua localidade.

O grande nó está justamente aí! Os municípios brasileiros, forma geral, ainda não incorporaram a perspectiva de que as ações em saúde têm financiamento tripartite: federal, estadual e municipal! Quase todos os programas e serviços demandam CONTRAPARTIDA FINANCEIRA MUNICIPAL, que apesar de ser a menor das parcelas do montante financeiro total, ainda sim não são bem vistas aos olhos dos gestores municipais.

Na verdade, o que os gestores municipais querem é a manutenção da sua capacidade de gestão garantida pela municipalização, mas, por outro lado, desejam que todas as ações e serviços sejam custeados em 100% com dinheiro vindo dos cofres da união e Estado, sem que os municípios desembolsem um vintém sequer. Dessa forma, todos irão querer serem gestores, pois ser a pedra é muito mais interessante que ser a vidraça.

Trago toda essa contextualização para afirmar que a dengue ou quaisquer outros agravos em saúde não podem ser combatidos apenas pelas instâncias federadas superiores e que os municípios também tem que arcar com as contas que lhes são de competência. É por essas e outras que até hoje no Brasil luta-se pela regulamentação da EC 29 para garantir o repasse mínimo de recursos da arrecadação municipal para a pasta da saúde.
Entendo situação de alguns municípios que possuem indicadores desfavoráveis e não conseguem arrecadar o suficiente para custear algumas ações e serviços que lhes são de competência, ao passo que também entendo que esses devam ser vistos e analisados sob primas diferenciados, mas isso não é uma regra dos municípios brasileiros.

As ações de saúde devem ser vistas e tratadas com as prioridades que elas demandam e o custeio do serviços deve a todo tempo ser negociado e discutido, mas nunca abandonado pelo apontamento dos possíveis culpados, pois, na infeliz possibilidade de não identificá-los, poderemos de forma muito mais fácil vislumbrar os que sofrem com esses desmandos: todo o povo brasileiro!

Precisa então dizer para quem sobra a conta?

(*) Para saber mais sobre o Financiamento do SUS veja aqui ou aqui
(**) Um grande abraço para a turma da pós de Saúde Coletiva - Sanitarista que motivou esse debate