sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Dia Nacional de Combate ao Fumo

Esse post vai em especial para os amigos Lucas, Ton Bar e Tiago.

Hoje é o Dia Nacional de Combate ao Fumo e franqueio a palavra a Danilo Gentili (CQC) que trata o assunto de forma "séria e com muito humor".



Larguem esse vício! - Vídeo postado no Treta

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Fique antenado...

Genética interessante...

Post do Portal G1 - ciência e saúde

GATO GANHA PAR DE "ASAS" E APELIDO DE "ANJO DA CHINA"


Dois comentários:

- Tinha que ser na China não é?!?

- E AGORA, SERÁ QUE VÃO DAR "ASA A COBRA" - o mundo está perdido

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Mulheres vitimas de violência sexual - algumas considerações

Semana passada, fui convidado por alunos do curso de Enfermagem da FTC - Faculdade de Tecnologia e Ciências para falar no Simpósio de Saúde da Mulher do tema de Violência Sexual nas mulheres.

A oportunidade foi interessante pois pudemos discutir, sobretudo, quão fraco é a rede de serviços de saúde na retaguarda dessas mulheres que sofreram algum tipo de violência sexual.

Essa temática torna-se ainda mais relavante e assume a magnitude de um grave problema de saúde pública na medida em que os números chegam a ser subnotificados de 80 a 95% dos casos, segundo os dados do Ministério da Saúde. Cabe lembrar que essas mulheres que sofreram algum tipo de violência, apenas serão computadas no sistema de saúde como números isolados, como agravos que são tratados e acompanhados distintamente, descontextualizados e desvinculados da causa base que foi a violência sofrida.

Apesar do governo brasileiro já legislar sobre a pauta e orientar sobre como deverão ser procedidos os trabalhos assistenciais e de orientação para essas mulheres vitimizadas, travam-se birgas particulares entre os municípios e os Estados sobre quem vai assumir os ônus financeiros da estruturação dessa rede de serviço. A assistência a essas mulheres deve perpassar pela oferta de serviços e profissionais que garantam apoio psicológico, o cumprimento dos seus direitos e da sua individualidade, o acolhimento nos serviços e o sigilo do seu acompanhamento, a assistência humanizada e a realização dos encaminhamentos necessários com vistas a resolução das demandas que são apresentadas. Mas especificamente, na política integral de saúde da mulher, estão contempladas ações mais diretivas e que envolvem todo um aparto logístico para o seu acontecimento que é a possibilidade de realizar a anticoncepção de emergência, as abordagens profiláticas para DST não virais, profilaxia para Hepatite B e para o vírus HIV, o acompanhamento laboratorial e, nos casos em que haja a ocorrência de gravidez, a possibilidade da realização do aborto legal, conforme preconizado no nosso ordenamento jurídico.
As áreas são muitas a serem contempladas mas encontram pela frente a resistência da gestão municipal que não prioriza essas ações e tampouco destina recursos para execução dessas atividades, os profissionais de saúde pouco sensíveis à temática ou não capacitados a acolher uma mulher vitimizada de violência sexual, a ausência de fluxos definidos na rede de serviços do SUS, as instalações físicas e unidades de saúde não equipadas para o suporte a essas mulheres, dentre tantos outros entraves à consolidação das políticas então discutidas.

Não exitem grandes caminhos a serem trilhados pois o cenário já está bem definido e as necessidades já foram levantadas. Falta agora vontade política para fazer acontecer. Falta fazer com que a sociedade trate o assunto da violência sexual com as mulheres da mesma forma com que tratam assuntos do seu cotidiano e nãopercam a capacidade de se revoltar com situações como essas.

É preciso perceber que a pauta da violência sexual ainda é um tema tratado às escuras por toda complexidade psicológica que carrega e pelo impacto que causa na opinião pública, mas, enquanto isso, os números vão crescendo e a mulheres vão sendo marginalizadas, perdendo espaços que arduamente foram conquistados.

Vejam alguns dados e informações que chocam:

  • 12 milhões de crimes sexuais ocorrem em todo o mundo a cada ano
  • Em diferentes partes do mundo, entre 16 e 52% das mulheres, experimentam violência física pelos seus companheiros
  • 1 (uma) a cada 4 (quatro) mulheres, é objeto de violação sexual ou tentativa de violação em algum momento da sua vida
  • Cerca de 1/3 das adolescentes relatam que sua primeira experiência sexual foi forçada
  • 43% das mulheres brasileiras referem ter sofrido alguma forma de violência sexual, 13% estupro conjugal ou abuso e 11%assédio sexual
  • 14.881 casos de estupro e 12.088 de atentado violento ao pudor em foram registrados no ano de 2000 pelas Secretarias de Segurança Pública
  • Por outro lado, 42.000 estupros são estimados no Estado de São Paulo a cada ano com 1/3 das internações de emergência decorrentes da violência doméstica
  • A violência sexual é responsável por até 25% dos trabalhos perdidos pelas mulheres e pela redução de ganhos financeiros entre 3 a 20%
    Os filhos de mães que sofrem violência têm três vezes mais chances de adoecer e 63% das crianças repetem pelo menos um ano da escola

Fontes: Relatório Mundial sobre Violência e Saúde – OMS 2002 e Norma Técnica de Prevenção e Tratamento dos Agravos Resultantes da Violência Sexual Contra Mulheres e Adolescentes (MS - 2005)


Valeu turma da FTC, o evento foi show. Sucesso sempre!
Abraço especial para Magali e os discentes Daiane e Daniel

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Caramba... dessa eu nunca vi não: 51 horas de cirurgia

Vocês lembram da história de um médico chamado Franciso Gregori Jr. que estampou na Veja e outros jornais pois tinha utilizado cola Super Bonder para estancar uma hemorragia durante uma cirurgia cardíaca?? Pois é, ele voltou a dar das suas.

Uma matéria do Folha on line estampou que esse médico realizou uma cirurgia cardíaca num paciente que demorou 51 horas. O paciente apresentou problemas de coagulação e fez com que fosses gastos todo o estoque de sangue de Londrina.
Mas, no final das contas, o paciente sobreviveu, assim como a da super bonder também.
Taí um misto de competência, coragem e sorte, muita sorte.

Confiram a matéria completa da Folha aqui!

Novidade: Lablogatórios

Surge o Lablogatórios, um portal de blog´s dedicado a divulgações científicas. Com certeza será mais fácil encontrar outros blogs que tratem dos temas da saúde e ciência e ampliar o universo de discussão.

Quem quer fazer uma inscrição e garantir um nome (login) personalizado está em tempo pois ainda não tem muitos blogs inscritos no portal.

Dica do .42

Projetos para a saúde, onde estão?

Vai começar a campanha eleitoral na televisão e ainda estou aguardando os candidatos apresentarem os planos e metas traçadas para a gestão da saúde nos municípios dos quais são respectivos candidatos.

Tenho certeza que o material será um ótimo termômetro para avaliarmos as concepções de saúde dos candidatos e de como pretendem operá-la caso vençam. Quem vai puxar a fila?

Casos de dengue voltam a ameaçar na Bahia

Informe do Bahia Notícias

BAHIA REGISTRA 300 CASOS DE DENGUE EM UMA SEMANA 12/08/2008 07:38:08

Os casos de Dengue na Bahia aumentaram em 300 apenas entre os dias 21 e 28 de julho. A informação foi confirmada após a divulgação de um boletim da Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) nesta segunda-feira (11). Ao longo do ano, o Estado já tem 33.188 casos confirmados, com 561 suspeitos de serem da forma mais agressiva da doença, a hemorrágica. A capital é vítima de 2678 casos de dengue, 40 deles de hemorrágica.

OBS: A SESAB preocupada com a situação já escalou até o Carlinhos Brown fazendo campanha contra o mosquito. Dá uma olhada aqui!

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Cursos de saúde da UESC bem na fita

A UESC cada vez mais firma-se como referência para formação dos nossos profissionais. Os cursos de saúde - Medicina, Enfermagem e Educação Física, Biomedicina - mais o curso de Agronomia - foram avaliados e alguns destacaram-se obtendo notas de excelência na avaliação do ENADE.

O destaque fica por conta do curso de Educação Física com nota máxima sendo o melhor da Bahia e o de Enfermagem que tirou o conceito 5 no IDD (indicador de diferença de desempenho) que determina o quanto de conhecimento o curso agrega aos alunos, que o coloca como segundo melhor da Bahia.


Com relação aos parâmentros utilizados para essa avaliação, bem... essa a gente deixa para comentar depois porque é polêmico. Breve postarei algo sobre o assunto.


No mais, parabéns para os alunos e professores dos cursos de saúde da UESC.



quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Hemocentro Regional em Eunápolis

Matéria do site da SESAB

Bahia ganha primeiro Hemocentro Regional

Uma população estimada em quase 320 mil pessoas, de sete municípios da região Extremo Sul, será atendida pelo primeiro Hemocentro Regional da Bahia. O Hemocentro Regional de Eunápolis, a 641 quilômetros de Salvador, que estava sob gestão privada contratada pela prefeitura, passou a integrar a hemorrede estadual na sexta-feira (1º de agosto), passando para a gestão da Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Estado da Bahia, Hemoba. A unidade se firmará como centro distribuidor de hemocomponentes (derivados do sangue) para as regiões Sul e Extremo Sul do estado, cujos habitantes não dependerão mais de Salvador para obtê-los.

A solenidade contou com a presença do secretário da Saúde, Jorge Solla; do secretário de Saúde de Eunápolis, Mário Gontijo; do diretor da Hemoba, Roberto Schlindwein; da diretora de Acompanhamento e Avaliação da Rede Própria, Conceição Benigno; do novo diretor do hemocentro, o médico hematologista Luciano Laranjeira; e do diretor da 8ª Dires, Baltazar Lamin, além dos funcionários e da população local, que lotou a sala de espera da unidade. Inaugurado há cinco anos, o hemocentro está sendo reequipado, a equipe será reciclada e serão contratados novos profissionais, já que a assistência prestada ali vai ser ampliada.

Além da coleta, preparação e distribuição de bolsas de sangue, único serviço prestado desde que foi inaugurado, há cinco anos, passarão a ser oferecidos, ainda este ano, serviços de transfusão de sangue, punção de medula óssea, diagnóstico e acompanhamento de doenças hematológicas (doenças do sangue, como a anemia falciforme e a hemofilia) e tratamento odontológico para hemofílicos.

"Dentro de 15 ou 20 dias, virão técnicos do Ministério da Saúde para fazer a informatização completa dos serviços. Já foram enviados 10 computadores para o hemocentro, e vamos encaminhar equipamentos complementares e demais insumos para garantir o bom funcionamento do serviço, que vai permitir outro padrão de atendimento, outra capacidade de assistência", informou o secretário Jorge Solla.

Ele acrescentou que o hemocentro vinha sendo subutilizado e necessita de muitos investimentos. "É um processo a ser cumprido", salientou, lembrando que a construção do prédio demorou oito anos e outros quatro se passaram até a unidade entrar em funcionamento. O secretário também evidenciou o esforço que vem sendo feito para melhorar a assistência hematológica no estado, inclusive com a reabertura de bancos de sangue em importantes pólos de assistência, como Senhor do Bonfim, Juazeiro, Paulo Afonso e Seabra.

PLANO "ARROJADO" E DOAÇÕES

Para o secretário de Saúde de Eunápolis, Mário Gontijo, a proposta do Governo do Estado, de incorporar o hemocentro da cidade à Hemoba transformando-o em Hemocentro Regional, é "bem feita, um plano bem arrojado, para que não tenhamos mais tantas pessoas que necessitem dessa assistência se deslocando para Salvador". Gontijo aproveitou para parabenizar a equipe de Assistência Farmacêutica da Sesab, por estar mantendo em dia o estoque de medicamentos do município.

O secretário Jorge Solla lembrou que o hemocentro foi dimensionado para atender à região do Extremo Sul, mas acabou se tornando um projeto bem menos abrangente. "Ano passado, fizemos várias discussões para que ele se tornasse regional, o que hoje será feito sob gestão da Hemoba. Foi um projeto penoso porque, como a prefeitura tinha contrato com uma empresa privada, precisava negociar, esperar acabar o contrato; finda esta fase, os funcionários da Sesab tiveram que fazer todo o mapeamento e checagem do patrimônio".

A etapa a seguir, observa o secretário, vai depender muito da colaboração da população. "É preciso que a população se mobilize para doar sangue, e participe das atividades. Essa contribuição é essencial para os bons serviços que o hemocentro irá prestar", afirmou. Apesar de muito esforço e sucessivas campanhas para sensibilizar doadores, a Hemoba tem enfrentado sempre oferta inferior à grande demanda por sangue e derivados. A meta para o Hemocentro Regional de Eunápolis é coletar 1.056 bolsas/mês para cobrir, com folga, a demanda hemoterápica da região, que é de 6 mil bolsas/ano.

B.F. - DRT/Ba 1158
Ascom Sesab

Não subestime o infarto!

Aí uma crítica que venho fazendo há tempos relacionado a outras patologias também: a forma banal como são tratadas alguns agravos de saúde sem creditar a devida importância que o tema merece, terminam por não causar o impacto desejado na população. O resultado: aumento no número de agravos na sociedade, aumento no número de casos fatais, dificuldade na mudanças de hábitos de vida, entre tantas outras situações que receberiam atenção diferenciada se realmente a população entendesse a gravidade que se impõe. Acontece com o infarto, com a tuberculose, a aids, a hanseníase, doenças que matam, mas seguem "vulgarizadas" na sociedade de forma geral.

Segue abaixo a notícia na íntegra do Portal G1 - ciência e saúde

BBC - Cinema e TV enganam pessoas sobre infarto, diz ONG

Entidade britânica diz que exageros levam paciente a ignorar sintomas reais.

A maneira dramática como ataques cardíacos são mostrados na TV e no cinema pode estar levando pessoas a ignorar sintomas na vida real, alertou uma ONG britânica.

"Ataques cardíacos hollywoodianos" mostram pessoas desmaiando e apertando o peito, simulando dor extrema.

Mas a ONG British Heart Foundation, que luta para diminuir os casos de infarto, alertou que os sintomas de um ataque cardíaco podem ser muito mais sutis e fáceis de ignorar.

"Temos de espalhar a mensagem de que ataques cardíacos no cinema e na TV não são o que as pessoas vivenciam normalmente", disse uma representante da entidade, Betty McBride.

Pesquisa

Em um levantamento feito pela ONG, de cada dez pessoas ouvidas, quatro disseram que seus conhecimentos sobre sintomas de ataques cardíacos vinham da TV e do cinema.

Apenas 6% disseram que tinham procurado aconselhamento ou discutido o assunto com seu médico.

Entre cerca de dois mil participantes da pesquisa, quase um quinto (18%) disseram não saber quais eram os sintomas de um ataque cardíaco.

"Há tantos sintomas. O ponto é, se você está se sentindo muito mal e tem aquela pequena suspeita de que talvez esteja tendo um ataque cardíaco, não demore, chame o serviço de emergência", disse McBride.

Só na Grã-Bretanha, cerca de 250 mil pessoas sofrem ataques cardíacos anualmente. Um terço delas morre antes de chegar ao hospital.

Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa, mas os mais comuns incluem dor no centro do peito - uma dor que se espalha pelos braços, pescoço e queixo - e também náusea, suores frios e falta de ar acompanhados de dor.

Ambos os sexos, mas principalmente mulheres, podem sentir um desconforto no peito acompanhado de uma sensação geral de mal-estar, uma dor que se espalha pelas costas ou estômago e uma dor no peito parecida com uma indigestão.

A saúde de Itabuna ainda em foco

Continuam pegando pesado com a Saúde de Itabuna. Nessa semana, após o governador classificar a situação da saúde de Itabuna como estado de calamidade durante o lançamento do programa de segurança por video-monitoramento da cidade, vem ainda o Jornal A Região e coloca mais lenha na fogueira denunciando o pagamento de salários exorbitantes e pagamentos de abonos esdrúxulos (abonos natalinos).

Confiram a matéria aqui: Servidor - de motorista a coordenador em dois meses

Enquanto isso, aguardamos qual será o posicionamento da CIB (Comissão Intergestores Bipartite) que apreciará como pauta de sua reunião a demanda do Conselho Estadual de Saúde que definiu pela perda da Gestão Plena do Sistema de Saúde do município de Itabuna.

Mas quem realmente está gostando dessa situação são os adversários políticos e pleiteantes ao cargo de prefeito municipal que se aproveitam da situação nada agradável da saúde pública local e soltam o verbo, inclusive com alegações de incompetência administrativa de "colegas" e com promessas do tipo "comigo será diferente". é ver para crer!

A que situação chegamos!

domingo, 3 de agosto de 2008

Mitos e verdades sobre a coluna vertebral.

Matéria do site ABC da Saúde.

Traz em 10 dicas bastante simples esclarecimentos sobre veradades e mentiras sobre a coluna vertebral, além de informações sobre como e quando procurar um médico ou o que fazer para aliviar dores. Está em primeiro lugar no ranking de artigos mais visitados no top 20 do site. Vale apena conferir.

Clique aqui!

Gianecchini, alergia à penicilina e outras coisas mais

Só para vocês verem que isso acontece nas melhores famílias e no universo dos famosos também.

Durante essa semana foi noticiado a internação de Reynaldo Gianecchini para tratar de uma reação alérgica após o uso de penicilina injetável IM, a velha benzetacil. O ator descreveu uma série de desconfortos, além do aparecimento de manchas eritematosas (avermelhadas) na pele. Contudo, cabe chamar a atenção que reações alégicas vinculadas ao uso da penicilina podem constituir um grave problema, com sinais e sintomas mais severos, podendo levar os indivíduos a um possível choque anafilático e a morte.

As reações alérgicas são algo comum na população, porém, as reações alérgicas à penicilina são mais raras e estão mais vinculadas ao uso da apresentação injetável do que a forma oral do medicamento. O Blog da Alergia conta que a reação alérgica ao medicamento ocorre em torno de 0,2% da população.

A penicilina, que foi o primeiro antibiótico a ser fabricado, ainda hoje é utilizado com eficácia para tratamento de algumas patologias como a sífilis, por exemplo. Mesmo com o advento da indústria farmacêutica na composição de novos antibióticos mais potentes e eficazes e da capacidade de bactérias de criarem resistência aos medicamentos, sobretudo pelo uso indiscriminado dessas drogas, a penicilina venceu esses obstáculos e transcendeu gerações, sendo um dos antibióticos mais distribuídos na rede pública de serviços de saúde do SUS.

Percebam que a relação custo x benefício do uso da penicilina é tão importante aos cofres públicos e sua potência o tornoa um medicamento indispensável ao tratamento de determinadas infecções que o governo brasileiro mantém o uso dessa droga mesmo com as possibilidades de reações, estimulando os serviços a realizarem a dessensibilização clínica de pessoas para o uso da penicilina, sobretudo aos casos novos ou com histórico negativo de complicações vinculadas ao uso do medicamento.

O problema do uso da penicilina no SUS

Apesar das unidades básicas de saúde dispensarem o medicamento, a maior parte delas não oferece qualquer tipo de suporte para a administração do mesmo. No geral, os serviços não contam com profissionais capacitados para lidar com as possíveis reações causadas pela penicilina ou sequer possuem insumos disponíveis para intervenções de urgência nos casos mais agudos. Dessa forma, o máximo que os serviços de atenção básica conseguem realizar é, após uma anamnese bem feita, administrar o medicamento e ficar observando o paciente, torcendo para que ele não apresente reações, caso contrário, o mesmo terá que ser condizudo às pressas para os serviços de urgência/emergência mais próximos.

Para as unidades de saúde que de imediato esquivam-se de administrar a droga evitando correr riscos e complicações em seus serviços, terminam por encaminhar os pacientes a unidades hospitalares, pronto-atendimentos e pronto-socorros para que o medicamento seja então administrado. Sofre o usuário que fica peregrinando pelo sistema para ter resolvida uma simples demanda de saúde que é a administração de uma droga com segurança e sofre as unidades hospitalares que além de terem suas demandas diárias aumentadas, ainda ocupam profissionais que deveriam estar direcionados ao atendimento de caos mais graves nos serviços de urgência.

O Ministério da Saúde disponibiliza desde 1999 um manual em que orienta sobre como realizar a dessensibilização em pacientes, como tratar os casos em que é necessário a anafilaxia e como normatizar os serviços para tornarem aptos a administração dda droga.

A implementação dos serviços básicos de saúde continuam sendo a chave para organização dessa rede. É necessário que as gestões municipais tomem a inicativa de instrumentalizar as suas unidades básicas de saúde de forma não apenas distribuir o medicamento, mas também administrá-lo com segurança. Os profissionais devem ser capacitados para lidar com os casos e devem existir insumos suficentes nos serviços para realizar os procedimentos com segurança.
Ações como essa, aumentam a resolutividade dos serviços básicos, os fazem crescer em confiança e credibilidade junto a população e vincula os usuários aos serviços, evitando as peregrinações e insatisfações dos usários na rede de serviços.

Tenho certeza que com medidas como essa, até os Gianecchinis se sentirão confortáveis em acessar os serviços para tomar a sua benzetacil.

Dica: para quem quer conhecer o Manual de Testes de Sensibilidade à Penicilina do Ministério da Saúde basta clicar aqui. (versão em pdf)

sábado, 2 de agosto de 2008

Mais problemas na saúde de Itabuna

Deu no Pimenta sobre a intervenção na saúde de Itabuna:

MAIS GRAVE: INTERVENÇÃO PODERÁ SER EM TODA A SAÚDE
Sexta, 01.08.2008, 03:52pm

O Conselho Estadual de Saúde aprovou o descredenciamento de Itabuna para a gestão plena do SUS. A recomendação foi decidida ontem, em Salvador, e já está sendo analisada pelo Governo do Estado.

Entre outras irregularidades cometidas pelos atuais gestores da saúde pública no município, os conselheiros destacaram a desassistência aos usuários, a não-reabertura do pronto-socorro do Hospital Calixto Midlej Filho e a falta de pagamento aos prestadores de serviço, clínicas e laboratórios credenciados.

Segundo Josenaldo Gonçalves, conselheiro ouvido pelo blog, há sérias dúvidas quanto ao destino que a Prefeitura e a Secretaria Municipal de Saúde estão dando aos cerca de R$ 2,3 milhões que o município recebe mensalmente do Ministério da Saúde. No âmbito local, o Conselho Municipal de Saúde reprovou as duas últimas prestações de contas do setor.

A decisão do Conselho Estadual foi confirmada no plenário da Câmara de Vereadores de Itabuna, nesta sexta-feira, pelo vereador Wenceslau Júnior, e recebeu elogios dele e de outros membros da bancada de oposição.

Do Pimenta na Muqueca

Relação médico-paciente abalada

Matéria na íntegra publicada no portal G1 Ciência e Saúde sobre o abalo na relçaõ médico-paciente.

Desconfiança mostra abalo na 'sagrada' relação médico-paciente
Pessoas parecem acreditar que seus médicos estão escondendo informações deles.Problema é sério pois atrapalha o tratamento e pode colocar vidas em risco.

Um crescente refrão de insatisfação sugere que a tão respeitada relação médico-paciente está cada vez mais fria.

A relação é pedra fundamental do sistema médico -- ninguém pode ser ajudado se os médicos e pacientes não estão se entendendo. Entretanto, e cada vez mais, pesquisas e relatos informais indicam que muitos pacientes não confiam nos médicos.

Cerca de um em cada quatro pacientes sente que seu médico algumas vezes o expõe a riscos desnecessários, de acordo com dados de um estudo do hospital Johns Hopkins publicado neste ano no periódico Medicine. E dois estudos recentes mostram que a confiança nos médicos influencia fortemente o fato de o paciente tomar ou não os remédios prescritos.

Desconfiança e animosidade entre médicos e pacientes têm aparecido em diversos lugares. Hoje pode ser encontrado nas livrarias um gênero de livros do tipo “o que seu médico não diz a você”, prometendo informações retidas sobre tudo, desde perda de peso até doenças do coração.

A internet está forrada de comentários frustrados de pacientes. Recentemente, no blog do New York Times, um leitor chamado Tom fez eco às preocupações de muitos sobre médicos. “Eu, como paciente, digo que parem de agir como se soubessem tudo”, ele escreveu. “Admitam, e nós, os pacientes, poderemos parar de desconfiar de seus rápidos e convincentes diagnósticos.”

Os médicos dizem não estar surpresos. “Desde que comecei a praticar, não consigo deixar me surpreender pela infelicidade dos pacientes e, francamente, pela forma como são maltratados”, diz Sandeep Jauhar, diretor do programa de problemas do coração do Centro Médico Judeu de Long Island e colaborador ocasional da seção de ciência do The Times.

Ele se lembra de uma conversa na semana passada com um paciente que havia sido transferido para o seu hospital. “Eu disse, ‘Por que você está aqui?’ e ele respondeu: ‘Não faço idéia. Apenas me transferiram.”

“Ninguém está falando com os pacientes”, continuou Jauhar. “Todos estão apressados demais. Não acho que os médicos sejam pessoas más -– eles apenas trabalham em um sistema quebrado.”

As razões para toda essa frustração são complexas. Médicos, enfrentando o declínio dos reembolsos e o aumento dos custos, têm apenas alguns minutos para cada paciente. Notícias sobre erros médicos e a influência da indústria farmacêutica aumentaram a desconfiança dos pacientes. E o aumento da publicidade de remédios diretamente ao consumidor e dos web sites de medicina ensinaram os pacientes a pesquisar seus próprios problemas médicos e os tornaram mais céticos e inquisidores.

“Os médicos costumavam ser a única fonte de informação sobre problemas de saúde e sobre o que fazer, mas agora nosso conhecimento está desmistificado”, diz Robert Lamberts, um médico interno e blogger em Augusta, Georgia. “Quando os pacientes chegam com idéias pré-concebidas sobre o que devemos fazer, eles realmente ficam perturbados quando não damos ouvidos. Eu me esforço para explicar por que faço o que faço, mas algumas pessoas não se satisfazem até que façamos o que elas querem.”

Outros dizem que o problema também vem de um exaustivo sistema de ensino que remove os médicos do mundo onde vivem os pacientes. “Quando acaba seu estudo, você sente, de muitas maneiras, que está muito longe das próprias pessoas que deveria ajudar”, diz Pauline Chen, cirurgiã da Universidade da Califórnia e autora de Final Exam: A Surgeon's Reflections on Mortality (Knopf, 2007). “Nós nem mesmo falamos a mesma língua.”

David H. Newman, médico de pronto-socorro do Centro Hospitalar St. Luke's-Roosevelt em Manhattan, diz existir uma desconexão entre o modo com que os médicos e pacientes enxergam a medicina. Médicos são treinados para diagnosticar e tratar doenças, diz ele, enquanto “os pacientes estão interessados em ser ouvidos e ficarem bem.”

Newman, autor do novo livro Hippocrates' Shadow: Secrets from the House of Medicine (Scribner), diz que estudos sobre o efeito placebo sugerem que Hipócrates estava certo ao afirmar que a fé nos médicos pode ajudar a cura. “A falta de uma fonte confiável de tratamento agrega tristeza e sofrimento a qualquer condição”, diz Newman.

Mas esses médicos dizem que a situação ainda tem esperança. Pacientes que não acreditam em seus médicos deveriam procurar um novo, mas eles podem ser capazes de melhorar as relações existentes sendo mais abertos e comunicativos.

Vá a uma consulta com perguntas escritas para não se esquecer de perguntar o que é importante para você. Se um médico começa a apressar a consulta, diga, “Doutor, ainda tenho algumas perguntas.” Pacientes que são abertos com seus médicos sobre seus sentimentos e medos terão freqüentemente o mesmo nível de abertura como resposta.

“Todos nós, pacientes e médicos, no fim queremos a mesma coisa”, diz Chen. “Mas vemos um ao outro em lados opostos. Existe esse senso de que estamos nos enfrentando, e não trabalhando em conjunto. É uma tragédia.”

Fonte: G1 Ciência e Saúde / New York Times News Service

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Rua Henrique Alves... tempos que não voltam mais

Esse indiretamente, não tem tanto relacionado com saúde, mas relacionado com a velha e boa Rua Henrique Alves no Pontalzinho em Itabuna. Abaixo matéria na íntegra de Daniel Thame publicado em seu blog

Uma rua chamada medo

Há pouco menos de cinco anos, a rua Henrique Alves era um exemplo de um Pontalzinho boêmio, com uma vida noturna efervescente, e ao mesmo tempo com ares de cidade interiorana, onde os vizinhos colocavam cadeiras na calçada para jogar conversa fora, as crianças brincavam livremente e casais de namorados davam seus amassos discretos ou nem tanto na porta de casa.
O chamado bairro ideal, com tudo perto. Farmácia, padaria, mercado, açougue e uma profusão de bares, estrelado pelo Katiquero, com sua cerveja sempre gelada e caranguejos que merecem ser degustados de joelhos.
Essa rua e esse bairro, infelizmente não existem mais, embora a padaria, a farmácia, o mercado, o açougue e o Katiquero continuem nos mesmos lugares.
A rua Henrique Alves, que de tão pacata às vezes parecia modorrenta, tornou-se a síntese de uma violência que se estende a todas as ruas e a todos os bairros dessa cidade sitiada pela bandidagem.
Não passa um dia sem que haja um assalto, não passa uma semana sem que haja um arrombamento de casa ou estabelecimento comercial. E vieram também os assassinatos. O ultimo deles vitimou um engenheiro de 48 anos, morto a tiros durante uma tentativa de assalto.
Tornou-se banal, em qualquer hora do dia, alguém gritar que teve seu telefone celular roubado. Os marginais, sozinhos ou em duplas, agem livremente. O simples barulho de uma moto provoca calafrios, tantos são os motobandidos cometendo crimes com a quase certeza da impunidade.
O que era paz, virou pavor. É raro encontrar alguém na rua a partir das 20 horas. Pais só se tranqüilizam quando os filhos retornam para casa, como se chegar vivo do trabalho, da escola ou do lazer fosse uma espécie de prêmio de loteria.
As residências viraram verdadeiras fortalezas, com grades, correntes e sistemas de vigilância eletrônica. Uma falsa sensação de segurança, já que ninguém passa a vida toda trancado. E também porque nem esse aparato evita a ação dos bandidos, cada vez mais ousados e destemidos.
Beira o inacreditável, mas há cerca de dois meses, um marginal escalou três andares para roubar roupas que estavam secando na varanda de uma casa. As grades que deveriam servir de proteção, serviram como escada para o ladrão.
Parte dessa tranqüilidade perdida deve-se à expansão do consumo de crack, essa droga devastadora que leva empurra os viciados ao mundo do crime.
Roupas, calçados, celulares, pulseiras e anéis se transformam em moeda de troca na hora de adquirir as pedras que eles consomem sem parar.
E o bairro, que já foi uma espécie de paraíso na terra para quem quer conciliar as facilidades da cidade grande com a tranqüilidade de uma pequena cidade, se transformou num inferno, onde as pessoas não estão seguras nem dentro de casa.

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Talvez com saudade de um tempo que não volta mais, uma moradora colou a cadeira na calçada e ficou observando o movimento. O telefone tocou e ela entrou em casa para atender.
Quando retornou minutos depois, haviam roubado a cadeira...

900 demissões no município e intervenção do Hospital de Base em Itabuna

Estão acompanhando? Não é mera coincidência ter falado desse assunto no post anterior e agora finalmente a bomba estourou de vez.

Deu no Blog do Pimenta que a Prefeitura de Itabuna realizará até hoje cerca de 900 demissões de seu quadro de contratados em cumprimento a obrigações seladas no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) do MP para o município e a possibilidade do Hospital de Base sofrer intervenção do Governo do Estado em função dos demandos administrativos que andam ocorrendo na instituição.

Vejam bem como os números espantam: estão sendo demitidos 900 funcionários que somam-se aos 1400 anteriores que já haviam sido desligados. 2300 pessoas desempregadas ou que tiveram seus "benefícios" cerceados. Para compensar, serão convocados 1173 profissionais do concurso público realizado. Vejam que é de deixar qualquer um perplexo observar o poderio administrativo do município e como ele pode ser "manipulado" de acordo com interesses minoritários. Os profissionais seguem revoltados pois julgam-se vítimas da desorganização administrativa argumentando.

Existem unidades de saúde que nessa sexta-feira abriram com apenas dois funcionários, sem possibilidade alguma de prestar qualquer tipo de assistência a uma pessoa necessitada. E como ficará a siatuação dos munícipes itabunenses que tinham o Hospital de Base como válvula de escape para as dificuldade de acesso às unidades básicas de saúde se o Hospital de Base também passa por graves problemas operativos e pode sofrer interdição estadual? Vale lembrar que a Santa Casa de Itabuna - Hospital Calxito Midlej - há tempos fechou seu pronto-socorro e só tem prestado assintência a urgências através do seu pronto-atendimento, com priorização dos convênios e planos de saúde. E até que os convocados se apresentem e se integrem aos serviços, muita água vai passar debaixo da ponte.

Migrarão os usuários dos serviços para o Hospital São Lucas afim de "resolver" suas demandas agudas de saúde?

Após questionar alguns trabalhadores de saúde que tiveram seus nomes inclusos no listão dos demitidos sobre quais foram os critérios utilizados para selecionar os nomes para dispensa, sem pestanejar, alguns informaram que, além da condição de contratado do município, o critério realmente prevelante foi o da "peixada": quem tem seu "padrinho" ficou, quem não tem, só lamentação. Completaram ainda informando que os que realmente trabalhavam e davam duro em seus serviços foram os primeiros a serem dispensados enquanto os demais "apadrinhados" tiveram seus contratos mantidos, apesar são os que menos tem resposabilidade e envolvimento com o trabalhado da saúde

E agora, quem poderá nos defender?

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Itabuna: Substituição de profissionais e prejuízos na saúde

Muito semelhante ao que eu havia postado anteriormente sobre a gestão da saúde de Ilhéus, não diferente (ou até pior) acontece com o município de Itabuna.

O município também recebeu o TAC (Termo de Ajustamento e Conduta) do MP para regularizar a situação dos recursos humanos da Secretaria de Saúde. O que segue diferente do cenário ilheense é que o município de Itabuna realizou um novo concurso público e o gestor municipal assinou documento comprometendo-se a convocar pelo menos 90% dos trabalhadores aprovados no concurso.

A situação em Itabuna chama mais atenção no SAMU 192. Os profissionais contratados estão sendo substituídos pelos aprovados no concurso público, porém, os trabalhadores que passam a compor o quadro do efetivo não possuem o treinamento necessário para atuação em serviço.

Há que se destacar que todos os trabalhadores do SAMU 192, conforme preconiza a Política Nacional de Atenção às Urgências passam por capacitações e treinamentos criteriosos para qualificação da atenção pré-hospitalar a que o serviço se destina. São treinamentos específicos para médicos e enfermeiros socorristas, técnicos de enfermagem, condutores-socorristas, TARM´s (técnicos auxiliares de regulação médica) e rádio-operadores, que garantem dinâmica do serviço e respondem pela credibilidade que o serviço tem apresentado Brasil afora.

Os funcionários ora dispensados, carregam com si toda uma bagagem de investimentos financeiros em treinamentos e capacitações que foram investidas pelo município, sem contar que eram esses mesmos profissionais os responsáveis por atividades de educação continuada e pelas atualizações técnicas dos trabalhadores do SAMU 192 de Itabuna.

Vale observar que os trabalhadores aprovados no concurso público e que estão sendo convocados a assumir as vagas que por direito lhes pertencem, da forma como está sendo operado o processo, terminam também sendo vítimas da desorganização administrativa instalada e terão que pegar o bonde andando, adentrando em serviços com alto grau de especialização nas suas atividades (caso do SAMU 192), sem nenhum treinamento prévio ou sem qualquer planejamento de investimentos em capacitações para qualificação da atuação em serviço.

Enquanto isso, os jornais locais noticiam que a prefeitura de Itabuna está convocando pessoas que foram reprovadas no concurso público ou que nem realizaram a prova, fatos que por si só já denunciam como o processo de convocação e substituição dos trabalhadores está sendo conduzido. Nesse momento, assemelha-se a Ilhéus que utiliza como válido o resultado do concurso realizado pelo gestor anterior (Jabes Ribeiro), onde superado os limites de convocação, terminam por permitir o ingresso em serviço de profissionais que foram reprovados no concurso por não atingir pontuação suficiente.

Mais uma vez reafirmo que cautela nos processos de mudança são necessárias sob pena de prejudicar ainda mais as atividades dos serviços que já operam de forma insuficiente e não gozam de credibilidade junto à população. Todos os dias ouvem-se notícias da saúde de insatisfação dos trabalhadores, de atrasos de salários, de deflagração de greves, situações que só pioram a administração da rede de serviços de saúde. Nesse conturbado cenário, quem termina por pagar a conta é o usuário que precisa dos serviços do SUS.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Gestão da Saúde de Ilhéus com dificuldades


Tudo em função da seleção que o município realizou às pressas com vistas a atender ao TAC (Termo de Ajustamento de conduta) do Ministério Público com relação às contratações de profissionais realizadas pela Secretaria de Saúde.

O fato é que a gestão da saúde de Ilhéus já passava por dificuldades em função da freqüência de troca de Secretários de Saúde (foram oito nos quase quatro anos da gestão), sem contar no entra e sai dos alcaides Newton e Valderico, fatos que abalaram as estruturas administrativas, jogaram abaixo e emperraram projetos e trabalhos então implementados. Pairava a cada troca a impressão entre os trabalhadores de um recomeçar, um partir do zero, situação que ninguém suporta mais.

Após a tomada de decisão do MP de orientar o município pela exoneração dos trabalhadores contratados, chamamento dos concursados e realizar seleção pública para as demais funções não contempladas na lista do concurso então vigente, observou-se ainda mais o agravamento da situação. Os trabalhadores já descontentes com as baixas remunerações e com as insatisfatórias condições de trabalho, viram-se ainda mais aflitos com a possibilidade de perderem seus empregos se não aprovados na seleção pública. Alguns desses trabalhadores conseguiram manter-se nos seus vínculos, aprovados nessa seleção, porém, novos profissionais foram aprovados e incorporados ao serviço, sem nenhuma orientação e conhecimento sobre a organização do sistema, dos fluxos estabelecidos ou políticas adotadas pela gestão municipal na organização dos serviços.

Observem que não sou contra a ação do MP, pelo contrário, apoio iniciativas como essas, que privilegiam a realização de concursos públicos, que garantam uma continuidade dos trabalhos mesmo que aconteçam troca de gestores, além do que, o concurso público é a forma de impedir que políticos mal intencionados utilizem as gestões municipais para aparelhamentos partidários ou como cabide de empregos. Entretanto, chamo atenção que é necessário ter cautela na forma como são realizada as trocas dos profissionais. Alguns serviços demandam mão-de-obra especializada e contam com profissionais que receberam investimentos de treinamento e capacitações pelo município para melhorar a qualidade da atenção à saúde e, perdê-los, pode significar um duplo golpe para os serviços e gestão.

Outro grave problema está relacionado ao chamamento dos concursados. O MP também resolveu prorrogar a validade do concurso público realizado na última gestão do ex-prefeito Jabes Ribeiro para preencher com concursados as vagas então em vacância na Secretaria de Saúde. Para algumas funções, foram chamadas pessoas que ficaram além do centésimo lugar na colocação geral. Não atentaram que alguns desses profissionais não obtiveram média suficiente para serem classificados, mas mesmo assim, foram convocados.

Para o então prefeito Newton Lima esse processo pode ter representado algum desgaste político, pois os trabalhadores andam nada satisfeitos e a população com dificuldades em ter resolvidas as suas demandas de saúde.

Espera-se que finalizado o processo eleitoral o município possa realizar novo concurso público para então preencher as vagas restantes com profissionais do quadro efetivo, o que só deve acontecer em 2009, a depender também de como será o resultado das eleições municipais desse ano.

Nesse momento de eleições, vale então observar os candidatos e suas propostas políticas. Projetos que contemplem a realização do concurso público, melhoria salarial e de condições de trabalho para os profissionais de saúde podem fazer a diferença na hora da escolha do voto.