terça-feira, 1 de julho de 2008

Novidades no Código de Ética Médico

Pois é, agendado para 2009: alterações no Código de Ética Médico pois houve entendimento que o código atual, que é de 1988 (já com 20 aninhos!) está desatualizado, isso durante o II Encontro Nacional dos Conselhos de Medicina que ocorreu em 2007.

Importante as demais profissões em saúde ficarem ligadas nas alterações, pois vários códigos de outras profissões vinculadas à saúde tem passagens norteadas diretamente por prerrogativas do código de ética médico, e em tempos onde o Ato Médico continua sendo um tema polêmico junto às entidades de classes e profissionais de outras categorias da saúde, vale a pena dar uma espiadinha e seguir acompanhando.

Profissionais médicos podem também colaborar enviando propostas. Mais informações no site do CFM e no MD Blogger.

  • Para ter acesso ao código de ética médico de 1988 basta clicar aqui (pdf)
  • Site de Revisão do Código de Ética Médico aqui

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Pensando...

Duas passagens que gostaria de dividir com vocês. Com a palavra Dra. Rosana Onocko Campos:

"No Brasil, o que seria hoje promover a saúde nas periferias das grandes cidades? Educar o pessoal para utilizar camisinhas, fazer "sexo seguro" e morrer na próxima esquina, vítima de uma dívida miúda com o narcotráfico? Milhares de trabalhadores de saúde trabalham visando promover um planejamento familiar responsável, e, apesar disso, as adolescentes das periferias das grandes cidades dizem que engravidaram por vontade, pois mesmo não tendo formado uma familiar nuclear, ter um filho de algum "narco" poderoso garante um certo status social no morro." (p.64)

"Em inúmeros relatos de casos, e em outros experimentados por meus alunos na rede pública de Campinas, tenho sido levada a refletir sobre como uma certa fixação nos significantes: "pobre", "coitados", "carentes opera uma desvitalização das intervenções clínicas, da clínica ampliada, tal como viemos discutindo. É como se uma prepresentação congelada a respeito de quem são esses outros aos quais assistimos não nos deixasse jamais ver a quantidade de força vital que portam e da qual sua prórpia sobrevivência em condições tão adversas é a prova mais cabal. Assim, quando enxergados e (não)escutados como pobres-carentes-que-nada-possuem, transformam-se, por obra e graça de nossas percepções cristalizadas, em objetos de intervenção. Ou serão até chamados de sujeitos, porém serão sujeitos passivos que devem mudar, que TÊM DE incorporar novos estilos de vida. Mas quais estilos de vida? Os nossos? Se tivessem feito isso, já teriam sido exterminados como os índios dos pampas argentinos." (p.70)

* grifo meu em vermelho

FONTE: CAMPOS, Rosana O. A promoçãp à saúde e a clínica: o dilema "promocionista". In CASTRO; Adriana & MALO; Miguel. SUS: Ressignificando a promoção da Saúde. Ed. Hicitec, OPAS, São Paulo, 2006.

Vai uma jabá aí - Pós em Emergência

Lá vai um jabá aqui da pós-graduação (especialização) Enfermagem em Emergência e Atendimento Pré-Hospitalar com coordenação do meu amigo Fabrício Bastos.


Mais informações aqui.

Com certeza será ótimo. Samuzeiros e viciados em emergência, não percam a oportunidade.

Notícias da terrinha...


Post do Blog R2CPress

Contradições... paradoxos inevitáveis???

Acabo de postar uma notícia sobre a descoberta de leucócitos resistentes à infecção viral do HIV e logo em seguida leio a manchete da Cruz Vermelha Internacional que classifica como catástrofe a epidemia do HIV/aids em países sul-africanos.

Parece brincadeira, mas é a prova viva de que os países mais necessitados são justamente àqueles que não tem acesso às tecnologias.

A notícia apresentou ainda números da infecção no mundo: cerca de 7 mil novos casos de HIV por dia. Parei rapidinho para fazer a conta e vejam:

  • 7 mil novos casos de HIV por dia
  • São então quase 5 novos casos de HIV por minuto!
  • Quase um novo caso a cada 15 segundos!

Lembrem que tem muita gente por aí que não realiza triagem sorológica, não passa pelo processo de aconsalhamento, manteve e mantém relações sexuais desprotegidas, podem estar infectados, disseminam o vírus na sociedade e ainda não estão inseridos nesses números.

Preocupem-se amigos!

Dengue: só para constar...

Postei na quinta-feira falando sobre a dengue em Itabuna e até "parabenizando" as ações da Secretaria de Saúde, que apesar de tardias e "paliativas" IRIAM contribuir para o controle da dengue no município.

FALÁCIA. No sábado, no noticiário local das 12h noticia na TV que o ambulatório especializado para atendimento de casos de dengue instalado no Hospital São Lucas NÃO FUNCIONA. Pessoas reclamando de filas e ausência do profissional médico. Atendimentos limitados ao pronto-socorro sem uma triagem e separação como era preconizado.

Pelo volume de casos que Itabuna, Ilhéus e municípios vizinhos apresentam será que já não poderíamos estar realizando sorologias para dengue aqui no município e não enviar para Salvador no LACEN como ainda é realizado? Pelo menos poderíamos apresentar números mais fidedignos da epidemia uma vez que muitos pacientes não procuram os serviços de saúde, não são notificados, tratam a patologia em suas residências ou ainda a confundem com outros agravos, viroses, por exemplo.

Bem, continuaremos no aguardo. Mas, para quem discorda do que penso, basta ligar na TVI, (TV Itabuna) canal 03 da TV Cabo e ver o Secretário de Saúde fazer auto-promoção da sua gestão e convidar seus funcionários para "falar bem" da saúde de Itabuna que vai "não vai bem" das pernas. Cadê a ética pessoal???

Mais avanços...

Está cada vez mais comum (ainda bem!!!) postar novidades sobre avanços científicos. Aí em baixo vão algumas novidades interessantes:

Do jeito que vamos, acho que chegaremos lá!

Animações médicas - impressionante!!!

Bem que eu gostaria de ter acesso a materiais como esse durante meu período de formação. Mas, nunca é tarde para vislumbrar-se com a capacidade de evolução e o brilhantismo que nos é ofertado pelo avanço da tecnologia.

Estou falando do site da Hybrid, que conheci no blog Update or Die. A Hybrid é uma empresa especializada em animações médicas que une a arte, ciência e tecnologia num só trabalho. Simplesmente fantástico e vale a pena dar uma conferida. Cara, a animação do coração de cristal transparente é algo fora do comum, dá pra ver as válvulas cardíacas batendo perfeitamente.

PS: Alguns devem estar se perguntando: como faço para pegar essas animações? (rsrs) Bem, as animações e vídeos (pelo menos as que estão disponíveis no site para visualização) estão em AVI. ou flash.

Quem quiser saber como capturá-las, basta entrar em contato que dou umas dicas (rsrs).
Contatem pelo e-mail valeu???!?!? pensosaude@gmail.com

Divirtam-se!

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Tive dengue três vezes! Uhuuuu!!!

Não é brincadeira, é comemoração mesmo! Do jeito que as coisas andam, pensamentos como esse são positivos: dengue três vezes e finalmente estou imune. Lembro dos tempos em que se corria com as crianças para colocá-las ao lado de mulheres com rubéola e evitar desconfortos futuros.

Mas a verdade é que, a ca
da dia fico mais preocupado com essa epidemia de dengue que está assolando o município de Itabuna. Ontem mesmo, durante uma festa com alguns amigos, tivemos a “grande felicidade” de matar dois mosquitos do Aedys, o que foi motivo de discussão por toda a tarde.

Brincava com meus colegas que não deveria estar preocupado, pois já peguei dengue três vezes, e até que me apresentem o quarto sorotipo viral (não encontrado ainda no território nacional), estou imune a essa situação. Mas não é bem assim que penso. Existe uma coletividade que precisa de intervenções governamentais, sanitárias, de saúde pública, para tentar conter esse progressivo avanço que pode causar sérios prejuízos a população local.

Itabuna e Ilhéus figuram no cenário nacional já por três anos consecutivos, desde 2005, como cidades que apresentam elevados índices de infestação predial (IIP). No ano de 2008, Itabuna registrou junto à SESAB (Secretaria de Saúde da Bahia) um índice de 9,5, elevadíssimo comparado ao preconizado que é abaixo de 1. E vale lembrar que no ano de 2006 o IIP de Itabuna foi superior a 17, noticiado Brasil afora.

O que espanta é que já por três anos consecutivos observamos o quão lenta é a ação de controle e combate a dengue, uma vez que esses números têm-se repetido. Permite-nos inferir uma falta de planejamento no serviço ou que não atribuem a devida importância que o tema merece frente ao impacto que causa na população. O fato é que sempre com a chegada do período quente e chuvoso, o que não é muito incomum na nossa região, aumentam os criadouros dos mosquitos e deflagra-se a epidemia.

Foi noticiada a criação do Disque-Dengue, um Ambulatório Especializado, seleção de agentes de endemia entre outras ações paliativas, que apenas reduzirão momentaneamente esse alarde criado em torno da elevação desses números de casos de dengue.

É necessário realizar ações preventivas e educacionais com a população justamente fora do período crítico de elevação do número de casos. Sempre que a bomba estoura, fica fácil atribuir à população a responsabilidade pelo aumento desses números. Esquecem por vezes que o acúmulo de lixo nas ruas, a falta de pavimentação e condições sanitárias mínimas são agravantes dessa caótica situação.

Não se trata de tentar achar culpados, mas de somar esforços. Uma população sofrida e descrente das ações da gestão, provavelmente não assimilará as metas e objetivos das políticas a serem implementadas. A melhor fórmula para alcançar êxito nas ações de controle e combate a dengue é o governo apresentar resultados positivos também em outras áreas que estão necessariamente interligas e investir ainda mais em ações educativas, pois não se enganem, a população é inteligente, ora assimila e dissemina informações e práticas, ora boicota, emperra e dissimula outras, tudo atrelado a avaliação que faz do organismo gestor.

Enquanto isso, para aqueles que já tiveram dengue por três vezes, muitas felicidades, vocês são “vencedores”. Para aqueles que não... (rsrs).

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Vocês votaram nisso aí...

É incrível como cada dia que passa nossos políticos conseguem se superar.

Vi esse vídeo no Kibeloco e tinha que dividir com vocês.

Não tem muita coisa haver diretamente com saúde não... mas é através desses políticos que tudo se define.

É cômico, mas.. muito mais TRÁGICO.

Divirtam-se e pensem o que vale seu voto. Abraço



Novas mentiras sob velhas teorias?

Wagner Alves

A CPMF quer voltar sobre a máscara da CSS (Contribuição Social para a Saúde) e já passou na Câmara por apenas dois votos além do mínimo necessário que eram de 257 votos, agora aguardaremos como o Senado reagirá.

Convido então a refletirmos o que isso representa no atual cenário. Comecemos pensando que o governo brasileiro não pára de bater recordes em arrecadação no país. Apenas nesse primeiro semestre de 2008, os números em arrecadação já superam o que foi recolhido no mesmo período do ano de 2007, com um significativo aumento de 12,5%, segundo noticiado pela revista Veja (o que significa em números, algo em torno de 223 bilhões de reais).

Basta lembrar que, quando o governo sofreu o “duro golpe” de não ver então prorrogado mais uma vez o seu “imposto provisório definitivo”, a CPMF, (até então criada como medida provisória e com data marcada para deixar de existir), o governo respondeu elevando a margem de arrecadação de impostos já existentes (caso do IOF), elevou sua margem de arrecadação sobre o juros líquido dos bancos, num momento inclusive que melhoram as medidas de fiscalização, que mais e mais contribuintes passam a recolher seus impostos, sobretudo aqueles que viviam sob o manto da sonegação e que os bancos do país (tais como o Itaú e o Bradesco) arrecadam algo que superam as cifras dos 4,5 bilhões de reais por ano.

Esses números nos levam a crer que a criação de mais um imposto como a CSS (alíquota de 0,1% sobre débitos em conta-corrente e operações financeiras), num país em que quase 40% do que se ganha no ano é usurpado do trabalhador como imposto devido, apenas tem fins eleitoreiros, de fazer emplacar nos governos municipais, estaduais e do alto escalão nacional, gente ligada ao poder, que compactua com a politicagem praticada em alguns espaços e que seguem a linha do “quanto mais dinheiro tivermos, mais poderemos fazer”. Alguém (ou alguma coisa) tem que financiar essas campanhas em tempos pós-mensalão, onde os olhos estarão mais abertos.

Percebam que a criação da CSS, retoma o mesmo princípio falacioso que foi utilizado para fazer vingar a CPMF tempos atrás: elevar as contribuições para injetar mais recursos na saúde pública do Brasil. Não vi nesse período em que CPMF esteve presente, que vai desde os últimos quatro anos do governo FHC até os seis anos seguintes do governo Lula, um só Ministro da Saúde que não se queixasse dos diminutos recursos repassados para a sua pasta e como isso constituía um enorme paradoxo frente à complexidade e as carências por ações e serviços de saúde da população brasileira. Necessidades oriundas principalmente da “gente miúda”, do trabalhador assalariado que tem dificuldade de acessar serviços públicos de saúde, seja pela sua baixa oferta ou precária qualidade de serviço que apresenta, impondo ao cidadão brasileiro o martírio de ter que, além de separar uma fatia do seu pequeno salário para pagar os impostos, ainda custear sua saúde, o que deveria ser garantido pelo Estado, segundo nossa Carta Magna.

A verdade é que nesse curto período em que a CPMF esteve ausente, pouco impacto causou, uma vez que foram computados recordes de arrecadação. Não é preciso nem ser especialista do assunto para entender que está faltando competência administrativa para gerenciar os recursos e definir quais são as prioridades. Por vezes, tenho a triste impressão que no governo a prioridade é propaganda.

A sensação é de total descompasso entre as medidas políticas adotadas e o constante sofrimento do povo brasileiro. Mais revoltados ainda ficamos quando observamos que aqueles que deveriam nos representar e defender interesses das coletividades são os mesmos que votam a favor de projetos como o da CSS, um retrocesso no breve passado democrático desse país, um conta-senso entre aquilo que se prega nos discursos e que se concretiza, ou seja, uma grande mentira. Difícil mesmo é observar políticos que não estejam focados em aprovar ou obstaculizar o que é ou não de interessante pela permanência do seu grupo no poder. A CSS pode tornar-se mais um dos instrumentos utilizados para o aparelhamento de partidos e grupos a partir da máquina estatal, uma malversação ao erário público, um assalto direto ao bolso do contribuinte.

Apesar de alguns justificarem que a CSS não afetará o pequeno contribuinte, pois será aplicada apenas sob quem tem renda mensal superior a três mil reais, esquecem de dizer que esta classe social não representa a maioria populacional do Brasil. A grande parcela da população brasileira está concentrada na classe média, com rendimentos inferiores ao preconizado para aplicação do imposto, correspondendo ao grupo que realmente causa impactos positivos ou negativos em termos de arrecadação. Para a classe média, grupamento que praticamente sustenta a nação pagando impostos, não foi anunciado nenhum tipo de reforma ou redução da carga tributária às quais estão submetidos, como medida complementar ou paralela à criação do novo tributo.

Dessa forma, tratando-se de CPMF e CSS temos a velha “troca do seis pelo meia dúzia”, mas para o povo brasileiro, temos um acréscimo de tributo que já não agüentamos mais pagar.

Gostaríamos de ver um Estado mais eficiente, que apresentasse melhorias significativas à população brasileira, com oferta de serviços de qualidade e investimentos em ações de médio e longo prazo, não com aplicação de medidas de fundo eleitoreiro, com definições de políticas públicas para grupos minoritários, sempre retirando da grande massa sofrida os subsídios necessários para fazer valer os seus projetos particulares. Mais especificamente, queremos ter acesso à saúde pública com qualidade, com profissionais capacitados e bem remunerados, com a redução dos péssimos índices de mortalidade e morbidade que colecionamos Brasil afora, com uma melhor estruturação das unidades de saúde e hospitais, inclusos numa política competente e globalizante, sem passar a conta nós, povo brasileiro.

Não se trata de fazer mágica. Trata-se de seriedade, compromisso e responsabilidade com o público.

Ainda há chance da CSS não passar no Senado, mas, com tantas conjunturas e negociatas no Congresso Nacional, fico apreensivo que a fatura da incompetência de nossos políticos venha disfarçada de imposto.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Estou de volta!

Demorou, mas voltei...

Pois é pessoal, problemas particulares impediram-me de manter atualizado esse blog e munir os meus (ainda, rsrs) pouquíssimos leitores com os meus devaneios e pensamentos. Mas, não se enganem, apesar de afastado do blog, mantive-me atento a todos os acontecimentos dos últimos dias, tanto no cenário nacional, quanto no loco-regional. E olha que não foram poucos.

Vou ainda colocar aqui comentários sobre a fala de Temporão, nosso ilustre Ministro da Saúde, que incluiu na lista do SUS procedimentos cirúrgicos para Modificação de sexo, fruto de lutas da classe GLBT e outros. Coisa quente ta pintando essa semana: o Ministro da Saúde estará reunido com representantes de diversas classes, inclusive de movimentos religiosos, que discutirão a possibilidade da realização do aborto voluntário, tema que vai dar o que falar e tem muita coisa boa pra discutir.
E olhem que eu nem relacionei o famigerado CSS – Contribuição Social da Saúde, imposto com fins eleitoreiros para aumento de arrecadação que, assim como ocorreu com a CPMF, elevará os tributos sem investimento algum na saúde como era previsto. Só trocaram a capa na verdade. Breve comentários sobre isso também.

Aqui pelo eixo Itabuna-Ilhéus, vou observando a população fugindo dos mosquitos da dengue a base de repelente, mas quem não fica com medo??? Sem contar que a turma por aqui anda tão insatisfeita que a qualquer momento poderemos ter greve no hospital de base, paralisação de serviços, um caos só.

E o povo de Ilhéus, os profissionais de saúde, sofrendo com um processo seletivo para tentar garantir seu trocado no final do mês e não deixar o município colecionar números ainda piores do que já vem apresentado.

Deixa só o blog voltar a funcionar legal que estarei postando. O Blogger está ruim tem uns dois dias e não estou conseguindo nem acessar. Esse post foi quase um milagre.

Abraço a todos e até mais.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Mais um serviço de utilidade...

Breve estarei postando alguns textos, por enquanto, vou postar essa notícia do Folha on-line sobre um bando de dados do Google em saúde e medicina.

19/05/2008 - 19h02

Google inaugura banco de dados médicos na web

da Reuters, em Nova York

O Google apresentou nesta segunda-feira o Google Health, um serviço de informações em inglês sobre saúde que combina o mecanismo de busca com um registro sobre a saúde pessoal do usuário.

A ferramenta inclui um link para ajudar usuários a encontrarem médicos por localização ou especialização. A "caixa de remédios virtual" avisa os pacientes quando eles precisam tomar remédios e as possíveis interações entre diferentes medicamentos.

Usuários também podem importar registros médicos se estes estiverem disponíveis em formato digital. O serviço inclui links para cadeias de farmácia, médicos e hospitais.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Cursos on-line gratuitos... interessados?


Pessoal, aí vai um dica das boas.

Acabei de receber ontem os meus certificados dos cursos on-line que realizei pela plataforma Virboo. É uma plataforma de e-learning muito eficaz, semelhante a tecnologia moodle dos cursos EAD (educação à distância), mas na verdade é um software para leitura que integra áudio e vídeo.

Para você que é profissional de saúde indico três cursos que são oferecidos e são da melhor qualidade
- Hipertensão Arterial: da medida da pressão arterial ao tratamento especializado
- Emergências
- Seguimento do recém-nascido pré-termo


Funciona da seguinte forma (um breve resumo):
- precisa do computador plugado na net para assistir as aulas... são slides com som bem sincronizados
- alguns curso trazem vídeos (caso do curso de emergência)

- depois de assistir as aulas (que possuem uma ótima qualidade) você responderá pequenos testes, avaliações que você precisa pontuar acima de 70 pontos (nota 7 no caso)


Agora atenção, tem que dedicar um tempo e concentra-se pois as aulas trazem muitos detalhes, caso contrário não passará na avaliação que não é fácil não.
Segue o link para vocês darem uma olhada.

Qualquer dúvida é só entrar em contato pelo e-mail... no que eu puder ajudar, colaborarei.
pensosaude@gmail.com

Ahhhhh.... o link.... http://www.vivali.com.br/newsletter/gratuito


PS: Não tem somente material para quem é profissional de saúde não. Tem ótimas palestras, livros, revistas, etc.... conteúdo para todos.

TUDO FREE.... 0800... de grátis.
Façam bom proveito.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Vai um gole aí?

Wagner Alves

Ligo a televisão e fico impressionado com a capacidade de criação dos comerciais de cerveja e de outras bebidas alcoólicas. São tão convincentes e persuasivas que você termina por querer provar ou tomar aquela dose a mais, vai que ela desce redonda, não é? Variedade, então, é um detalhe que já nem conta. São tantas opções, marcas e preços diferenciados, compatíveis com seu paladar ou com sua condição financeira e social. Bebe-se do melhor whisky até a velha pitú.

Mas, parece que esses dias de glória estão próximos de um fim, a depender do Ministro da Saúde Temporão e outros parlamentares que apóiam um projeto que proíbe a veiculação de comerciais de bebidas alcoólicas das 6 às 21 horas. A idéia é tentar repetir os bons resultados obtidos com a campanha nacional de restrição ao tabaco imposta pelo governo brasileiro e associar ações com experiência vitoriosas em outros países. Dessa forma, ganha o governo, ganha a saúde e segurança pública, ganha a sociedade em geral, mas perdem as emissoras de televisão, perdem os políticos e é aí que se deflagram os conflitos e vem à tona o jogo de interesses em detrimento de um bem social maior.

Durante essa semana o lobby da propaganda de bebidas alcoólicas prevaleceu e o governo retirou da pauta de votação do plenário da Câmara o referido projeto de lei. Líderes de oposição e de base governista pressionaram o presidente da Câmara Arlindo Chináglia e algun, como o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), cuja família é proprietária de TV, chegou a ameaçou votar contra o projeto, se ele não fosse retirado da pauta.

Aqui pelos lados da Bahia e também incomodado com a possibilidade de aprovação do projeto em questão, o líder do DEM, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), também de família dona da Rede Bahia de televisão, também insistiu para a retirada do projeto da pauta, fato que terminou por acontecer.

Também, não é por menos tanta dedicação à causa. Conforme a Agencia Estado noticiou em seu site, informações de representantes de empresas de TV que pressionavam na Câmara para a retirada do projeto de votação dão conta de que a publicidade de cervejas representa 30% das receitas das emissoras e com certeza, ninguém vai querer perder essa fatia do bolo. Pelo outro lado, nossa sociedade segue convivendo com a violência proporcionada pelos abusos do uso de álcool, com o crescente número de acidentes em nossas rodovias também pelo uso álcool, com altos índices de mortalidade por trauma decorrentes de acidentes automobilísticos, influência também desse mesmo álcool.

É interessante observar que os avanços legislativos, ao invés de refletir a vontade do povo e a necessidade da sociedade, são manipulados e direcionados para atender interesses particulares. Não vemos esse grau de mobilidade de nossos parlamentares para discutir questões como reforma política, agrária, tributária, pesquisa com células-tronco, ente tantas outras pautas. Mas, quando se trata de facilitar ou emperrar empreitas que geram lucros ou ônus nos seus investimentos e patrimônios, eis que nossos representantes mostram-se verdadeiros leões e poderosos articuladores.

Não sou utópico. Tenho plena convicção que apenas reprimindo os comerciais de TV o governo não conseguirá causar o impacto desejado no controle do uso de álcool, mas alguma coisa precisa ser feita, caso contrário, as manchetes contrastantes continuarão sendo destaque dos meios de comunicação: de um lado boas risadas e um humor incomensurável dos comerciais de bebidas super-criativos; do outro lado, tragédias, mortes e sofrimento de familiares e amigos vítimas do uso do álcool.

Vou fazendo minha parte, discutindo e esperando que nossos representantes políticos legislem dissociados de seus projetos particulares e coloquem na roda questões de pertinência para a sociedade. Tenho certeza que o uso indiscriminado do álcool e a forma como sua veiculação se dá na mída configura uma dessas pautas de importância e que precisa ser tratada e discutida antes que se torne um problema de saúde pública.

Enquanto isso, (bebendo uma cervejinha) e como todo brasileiro e bom baiano, sigo oscilando: ora sorrindo, ora chorando.


Wagner Alves é enfermeiro

domingo, 20 de abril de 2008

Para pensar...

Wagner Alves


Igreja Católica, contemporaneidade e saúde: quebra de dogmas pela manutenção da unidade política cristã católica?


Tema interessante não??? Mas você deve estar pensando: o que tem haver igreja católica com a saúde e os novos tempos? Essa comecei a pensar logo depois de ler a reportagem da revista Veja de 9 de abril desse ano que traz uma matéria (não muito destacada) na qual afirma que os mulçumanos ultrapassam os católicos em números de fiéis no mundo.

Isso reflete uma grande passagem histórica nos tempos atuais. As informações serão apresentadas num relatório ao próprio Vaticano (e feito por pesquisadores do próprio Vaticano) no qual afirma que já existem 1,3 bilhões de muçulmanos para 1,1 bilhão de católicos. Tudo bem que, se você levar em consideração toda a massa cristã no mundo, esse número ultrapassa a casa dos 2 bilhões, ao passo que a religião muçulmana também tem suas dissidências (os xiitas, sunitas, alauítas, entre outros) e que isoladas não são páreo para a massa cristã católica mundial. Mas, o próprio fato de a igreja católica encomendar tais pesquisas e manter uma vigilância constante a essa grande evolução muçulmana, já dá conta do quão grande é a preocupação católica com a perda de espaço e terreno.

Mas, você ainda deve estar pensando aonde quero chegar... e vamos ao cerne da questão. Percebam que a igreja católica é uma das grandes forças opositoras a algumas das evoluções tecnológicas que se dão no campo da saúde e, apenas para ilustrar esse cenário, podemos citar a pesquisa com as células-tronco e a utilização dos preservativos na luta contra a aids. Isso tem repelido alguns adeptos cristãos católicos que tem pensamentos diferenciados da igreja quanto a algumas políticas de saúde pública e, consequentemente, incentivado essas pessoas a procurarem espaços onde a religião convirja com os pensamentos que são próprios desses grupos e que acompanham as tendências sócio-tecnológicas dessa sociedade moderna.

A própria pesquisa da qual falamos anteriormente traz como explicação para essa expansão muçulmana as diferenças entre índices de fertilidade entre os adeptos das duas religiões. O número de filhos por mulher nos países ditos católicos estão em queda constante, muito bem exemplificado pela Espanha e Itália, grandes berços do catolicismo e que estão no grupo de países com a menor taxa de fertilidade do mundo. Por outro lado, os muçulmanos, apesar de sócio-economicamente ainda não serem comparáveis à grande massa cristã católica e por terem as mulheres com um papel social subalterno, vão procriando e tendo uma média de 7 filhos por casal.


“A Igreja Católica sofre uma sangria de fiéis – eles debandam para as seitas pentecostais, sobretudo na América Latina –, fenômeno que não existe nas fileiras do Islã.” (VEJA, 9 de abril 2008)

Percebam que a redução dos índices de fertilidade ocorre justamente nos países mais desenvolvidos (se comparados ao de maioria muçulmana) e nessas sociedades, as mulheres assumem novas posições, preocupam-se com o trabalho e profissão, com o custo da educação de filhos, fatos que justificam a opção por famílias menores.

Esses são indicativos de que, se a igreja católica quer mudar esse panorama (e ela não vai ficar parada), ela terá que mexer nas suas bases, terá que rever alguns dogmas que são históricos e não acompanharam o pensamento evolucionista dessa época. Essa não será a primeira vez que isso acontecerá nas bases da igreja. Basta nos lembramos de um pouco da história mundial e vermos as mudanças de posicionamentos assumidos pela igreja durante o período medieval da época feudal para se consolidar e logo após, os movimentos contrários na luta contra a evolução do protestantismo religioso que acontecia no mundo absolutista e tiravam a autonomia e poder da instituição católica.

Atualmente, vemos uma igreja católica que perde adeptos e segue na contramão do que se vem pensando e agindo na saúde, sobretudo no Brasil, que é o maior representante católico da América Latina e apresenta um programa de excelência mundial no combate a aids no mundo, segundo a ONU-OMS.

As pesquisas com células-tronco cada vez mais sinalizam para a grande possibilidade de salvar vidas e contornar problemas de saúde, hoje tidos como incuráveis ou intratáveis e o preservativo, apresentado como uma das medidas de tentativa de controle e de redução dos índices de DST e aids no mundo, sofre os “preconceitos” pela igreja católica com a argumentação da banalização sexual ou do enfraquecimento da constituição de famílias.

O fato é que cada vez mais o cerco vai fechando-se e necessariamente forçará mudanças de postura na dogmática católica de conduzir os seus fiéis e simpatizantes, principalmente para as questões que envolvem práticas de promoção da saúde.

E olha que o momento não é bom. O que se vê nas revistas e jornais são escândalos envolvendo padres, processos judiciais sendo deflagrados, papa pedindo desculpas públicas, menores sendo aliciados por membros da igreja, etc.

Acho que esses são os sinais mais evidentes das mudanças dos tempos.

Essa não é uma situação da qual espero ver vencedores e vencidos. Não se trata disso, de disputas de campo religioso ou de tentar fazer prevalecer pensamentos de grupos específicos. A igreja católica deve ser, acima de tudo, respeitada pelo que ajudou a construir. Mas, particularmente, torço pela evolução dos países como um todo, pela melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, pela evolução da saúde pública e pelo fortalecimento do SUS, independente de credo, cor ou raça.

Então, que venham os novos tempos, que forças sejam somadas e que a saúde pública comemore dias melhores.



Wagner Alves é enfermeiro

sábado, 19 de abril de 2008

Utilidade pública - Enfermeiros em Angola

Recebemos o seguinte e-mail:


Será realizada seleção para início do trabalho no segundo semestre de 2008 de enfermeiros para trabalharem no projeto de saúde pública em Huambo, província de Angola.

É uma desejável experiência em saúde pública, saúde da família, PACS, treinamento e trabalho de campo.

Os salários e ajuda de custo são de US$ 4.500 (quatro mil e quinhentos dólares), retorno ao Brasil a cada 3 meses por 15 dias, com passagens pagas.

Interessados enviar currículos para o e-mail: enfermeiroangola@uol.com.br

Zanetta

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Lendo e opinando...

Bem, acho que já temos alguns textos suficientes para leitura e podermos fazer discussões.
Aguardamos as opiniões de vocês.

Lembrete: O blog é moderado. Não publicaremos material ofensivo dos post e coments, ok!

Abraço a todos

Relações de poder e suas interferências no processo de trabalho de Equipes de Saúde da Família - breves considerações

Wagner Alves

O poder é expresso através das diversas relações sociais e na medida em que existem relações de poder, existe política. Essa política pode ser expressa sob diversos prismas do poder, não devendo, sobretudo, analisá-la somente sob a ótica das relações de poder ligadas ao campo institucional do Estado, o que poderia culminar em redundância ou simplificação ao que essa análise pretende. Tratando-se aqui das relações poder ligadas ao processo de trabalho das Equipes de Saúde da Família (PSF), é preciso ter em foco que a relações de poder estabelecer-se-ão tanto por uma via verticalizada, demonstrando o poder institucionalizado e a força do Estado nas suas três esferas governamentais, quanto nas relações de poder de perspectiva mais ampla, e não menos importante, que são as de dimensão social, dadas no cotidiano do trabalho das equipes e das relações estabelecidas com seus pares.


Reiterando a proposição anterior e numa tentativa de ilustrá-la pode-se recorrer inicialmente a Max Weber, donde o mesmo afirmou em suas produções textuais que a política não se restringe ao campo institucional estatal, ela permeia outras atividades da vida cotidiana. Em seu livro A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, Weber chegou a afirmar que “hoje, nossas reflexões não se baseiam, decerto, num conceito tão amplo. Queremos compreender como política apenas a liderança, ou a influência sobre a liderança, de uma associação política, e, daí hoje, de um Estado” (WEBER, 2001, p. 97), fato que demonstra que as discussões em torno da conformação do Estado e das relações entre os seres, foram todas permeadas pela exposição de poder e política, situações que ainda nos dias atuais não fogem à regra.

Outro grande que ainda ilustra o tema poder e rompe com as perspectivas clássicas do termo é Michel Foucault. Diferente de Max Weber, Foucault trata o tema poder irrompendo as perspectivas clássicas de análise como dito anteriormente e afirma que o poder não pode ser localizado numa instituição ou no Estado, de forma que não seria poderia ser possível “tomá-lo” como era o pensamento marxista. Foucault em suas obras, sobretudo no livro Microfísica do Poder de (1998), afirma ser o poder uma relação de forças, e como relação, estará em todas as partes, atravessará pessoas, não podendo ser considerado (o poder) independente delas. O poder não se limita a aspectos institucionais e organizacionais e a formas econômicas, relações de classe, status, prestígio ou desempenho de papéis sociais; ele está presente em todas as relações na rua, na família, nas relações afetivas ou de amizade, não somente reprimindo e destruindo o outro, mas também produzindo efeitos de verdade e saber, constituindo verdades, práticas e subjetividades. (FOUCAULT, 1998).

Seguindo as linhas de raciocínio apresentadas, podemos recorrer à história da conformação das políticas públicas de saúde no Brasil e entender que as “verdades constituídas, práticas e subjetividades” (FOUCAULT, 1998) intrínsecas às propostas de mudança de modelos de atenção à saúde, todas foram construídas sob disputas dos movimentos sociais, grupos hegemônicos e da exposição da força do Estado. Franco e Merhy (2003), numa de suas produções que analisam o Programa de Saúde da Família e as contradições de sua proposta enquanto modelo tecnoassistencial, afirmaram que “do jogo de pressão e disputas cria-se uma dada ‘correlação de forças’ que define a política de saúde, muitas vezes na forma de um amálgama, combinando interesses diversificados”. Na mesma produção ambos ainda citam que as produções dos modelos para saúde dão-se através das disputas de projetos por grupos e movimentos sociais, prevalecendo aí o jogo de forças que faz com que as políticas de saúde favoreçam ou não determinados agrupamentos e interesses. (FRANCO & MERHY, 2003).

A própria existência do Programa Saúde da Família, suas propostas e constituição, deve-se às pressões exercidas pelos movimentos reformistas que aconteceram no Brasil na década de 70 e 80, na tentativa de mudança do modelo assistencial clientelista e médico-centrado que limitava o acesso de milhões de usuários a serviços além de equivocadamente direcionar o sistema de saúde sob perspectivas mercadológicas excludentes.

Porém, a simples conformação de uma nova proposta com a eleição de um novo projeto a ser posto em prática não garante (nem garantiu até os dias atuais) a efetiva mudança do modelo de atenção, uma vez que diversas forças e projetos não foram seduzidos à nova proposta em questão, permanecendo aí o conflito, a disputa de poder e espaço por esses atores e agrupamentos. Franco e Merhy corroboram a idéia quando afirma que “não é a mudança da forma ou estrutura de um modelo medicocêntrico para outro, equipe multiprofissional centrado como núcleo da prestação de serviços, que por si só garante uma nova lógica finalística na organização do trabalho. É preciso mudar os sujeitos que se colocam como protagonistas de um novo modelo de assistência. É necessário associar tanto novos conhecimentos técnicos, novas configurações tecnológicas do trabalho em saúde, bem como outra micropolítica para este trabalho, inclusive no terreno de uma nova ética que o conduza.” (FRANCO & MERHY, 2003).
Pensando-se aqui no processo de trabalho das equipes de saúde da família, percebe-se que podemos ter exercida sob esse espaço a exposição de forças as mais distintas possíveis. Elas podem ser exercidas de forma verticalizada pelos órgãos de controle e gestão governamentais, podem acontecer pela disputa de projetos de grupos anti-hegemônicos e opositores, pelos membros da comunidade a quem se destina o trabalho de determinada equipe (satisfeitos ou não com o que é produzido pela equipe de saúde) ou ainda na própria estrutura da equipe entre os seus membros formadores, por disputas de projetos pessoais sob óticas e pontos de vistas diferenciados.

O enfraquecimento do processo de trabalho pela tentativa de tentar prevalecer os projetos dos distintos atores que compõe as equipes, sem citar as relações de poder externas que também influenciam esse espaço, terminam por não permitir a mudança então proposta e delineada nas políticas públicas então vigentes além de interferir na produção do cuidado gerado pelas equipes. Por não conseguir consensuar seus pontos de vistas, prevalece a prática do um auto-governo no seio das equipes de saúde, todas elas operando sob práticas e objetivos distintos ainda que dentro de um mesmo espaço e direcionados a um mesmo território.

Um trabalho realizado em instituições hospitalares por Souza e Lisboa (2001) que analisou a hierarquia e as relações de poder no trabalho das enfermeiras assistenciais, plenamente adaptável à perspectiva não-hospitalar do trabalho em saúde dada a semelhança da temática, conclui que muitos são os determinantes que tornam as relações de poder complexas e conflituosas no espaço desses profissionais como: a história de vida e as características pessoais, as características da formação acadêmica e da capacitação profissional, a contextualização histórica que permeia cada profissão que atua neste espaço, a vivência profissional e as características da organização do trabalho, bastante rígidas na maioria das vezes. Continuam ainda ressaltando que o relevante é levantar a totalidade que envolve a problemática, para a partir daí, pinçar determinantes que quantitativa e qualitativamente conduzam a transformações desse quadro difícil para essas enfermeiras. Evidenciou-se então que o universo de trabalho dessas enfermeiras (o campo hospitalar – não muito diferente das relações dos serviços em unidades de saúde básicas) é marcado por fortes relações de poder, em que se observam medições de força no sentido de caracterizar qual é a categoria profissional que se encontra em posição de destaque e prestígio nesse espaço. “A disputa é acirrada, haja vista a multiplicidade de profissionais da saúde que se inserem no trabalho hospitalar, todos com formações diversificadas, com desejos e aspirações profissionais e pessoais diversas, dessa forma, este é um campo complicado, o campo das relações de poder. Verificou-se, (...) que as relações com as diversas áreas acadêmicas são difíceis, pois existe o aspecto da valorização que todos buscam, e, dessa necessidade de se destacar, surge a vontade de conquistar a hegemonia no ambiente hospitalar.” (SOUZA, N.V.D e LISBOA, M.T.L., 2001).

Após essas discussões, fica claro que as relações de poder e a tentativa de fazer prevalecer projetos particulares permeiam todo ambiente de trabalho das equipes de saúde da família, e que no exercício da sua aplicabilidade surgem os conflitos pelos diferentes olhares e compreensões do que julgam ser o certo e adequado do fazer em saúde. Assim como dito por Foucault em sua visão positiva, o poder produz práticas, subjetividades e verdades que precisam ser direcionadas a destruir comportamentos e práticas estereotipadas do fazer em saúde e mais do que modificar estruturas, modificar suas referências epistemiológicas.
As relações de poder sempre irão interferir no processo de trabalho das equipes de saúde da família, mas o grande cerne é saber seduzi-las e concentrá-las a uma proposta consensual de mudança, mudança do modelo de atenção médico-centrado, mudança das relações de trabalho e de como ela se opera e mudança no processo de produção do cuidado em saúde.

“Para remodelar a assistência à saúde, o PSF deve modificar os processo de trabalho, fazendo-os operar de forma “tecnologias leves dependentes” mesmo quem para a produção do cuidado sejam necessários o uso das outras tecnologias. (...) a implantação do PSF por si só não significa que o modelo assitencial esteja modificado. Podem haver PSF´s médico-centrados assim como outros usuário-centrados, isso vai depdender de conseguir reciclar a forma de produzir o cuidado em saúde (...) que dizem respeito aos diversos modos de agir dos profissionais em relação entre si e com os usuários.” (FRANCO & MERHY, 2003).

Referências
CAMPOS, G.W.S. Reforma da Reforma: repensando a saúde. HUCITEC, São Paulo, 1992

FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Rio de Janeiro: Graal, 1998.

FRANCO, T. B.; MERHY, E.E. PSF: Contradições de um programa destinado a mudança do modelo tecnoassistencial. In O trabalho em Saúde: Olhando e experienciando o SUS no cotidiando, HUCITEC, São Paulo, 2003.

PAIM, Jairnilson Silva. Direito à Saúde, Cidadania e Estado. 8ª Conferência Nacional de Saúde, 1986.

SOUZA, N.V.D.O.; LISBOA, M.T.L. A hierarquia e as relações de poder no trabalho das enfermeiras assistenciais. In http://paginas.terra.com.br/saude/ra/CACT003.htm

WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. 3a. ed. São Paulo, Pioneira Thomson Learning, 2001

ZANELA, A. V.; FILHO, K.P.; ABELLA, S.I.S. Relações sociais e poder em um contesto grupal: reflexões a partir de uma coletividade específica. Estudos de Psicologia Universidade Federal de Santa Catarina, 2003.


* Wagner Alves é enfermeiro

terça-feira, 15 de abril de 2008

Populações historicamente excluídas e o acesso aos serviços de saúde

Wagner Alves

Para iniciarmos as discussões, é fundamental ter em mente que o acesso à saúde é completamente diferente do acesso aos serviços de saúde. O acesso à saúde deve ser analisado sob prisma da sua concepção mais ampliada, não só da ausência de doença ou da instalação de agravos, mas também, da qualidade dos indicadores sociais, econômicos e políticos presentes em determinado território e que afetam diretamente a qualidade de vida dessas pessoas. Já os serviços de saúde correspondem às ferramentas de um sistema que se propõe regular e organizar as práticas de saúde. São os elementos mais concretos do sistema e configuram o local de contato com o usuário, onde ele despeja suas angústias e problemas e vê a possibilidade de ter resolvido as suas demandas.

A população, de modo geral, tem dificuldade de acessar os locais que concentram serviços de saúde em face da descontinuidade na prestação dos serviços no país, da precariedade de como estão estruturados e de como as políticas de gestão estão sendo aplicadas. A cobertura de PSF nos municípios, por exemplo, numa média geral, está longe de ser a ideal ou preconizada. Os gestores passam insensíveis às necessidades da população e canalizam recursos para serem aplicados em áreas que destoam completamente do que a população precisa, terminando por sucatear o sistema de saúde local e gerando o descontentamento popular.

Pior ainda é a situação das populações historicamente excluídas ou “em situação de exclusão”: indígenas, quilombolas e sem-terras, que além de sofrerem com os desajustamentos do sistema na totalidade, ainda contam com o agravante da marginalização e preconceito que recebem da sociedade, em face de suas lutas pela manutenção de sua identidade étnica e das bandeiras ideológicas que erguem pela garantia de direitos e do exercício da cidadania.

Esses grupamentos, por conta do processo histórico pelo qual vivenciaram, mantêm-se marginais à sociedade, privados de acessar serviços e dos direitos que possuem como qualquer cidadão no país.

Os indígenas tiveram suas populações quase dizimadas pelas invasões estrangeiras nos tempos da colonização e foram forçados a aceitar costumes e crenças que não eram suas; os negros, escravos dos grandes latifundiários e produtores locais, foram extremamente explorados durante o período da escravatura; os sem-terra, movimento de roupagem mais recente, representa a parcela dos mais desfavorecidos sócio-economicamente que lutam pela reforma agrária, vítimas do desenfreado crescimento e exploração capitalista que se instalou no Brasil e provocou grandes desigualdades.

Essas considerações são aqui relatadas porque são necessárias para compreensão de que antes de lutar pelo acesso à saúde (e seus serviços), essas populações em situação de exclusão lutam por um reconhecimento social e pela manutenção de uma identidade que guarda as particularidades desses grupos. É dessa premissa e invocando os princípios do SUS de universalidade e equidade que fica evidente a necessidade de aplicar políticas específicas para contemplá-los.

Alguns chegam a afirmar que formular políticas específicas, ao invés de aproximar os grupos em situação de exclusão do seio social, culmina com o seu afastamento, dada as especificidades da causa, do respeito às crenças e valores que não são universalizantes, da priorização de um ou outro grupamento em detrimento do todo e da perda de sua identidade cultural com a inclusão de adeptos que fogem aos padrões étnicos de cada causa (caso dos indígenas especialmente). Relatos e observações apontam o desvirtuamento de algumas das propostas e ideologias dos grupos. Isso acontece e toma corpo quando, por exemplo, pessoas invadem o movimento dos sem-terra na tentativa de usufruir dos possíveis benefícios da luta pela terra (como a concessão de posse e uso da terra); outros, chegam a negar origens e se declaram de uma etnia que não é a sua para ter acesso privilegiado a alguns bens e serviços, como acesso a educação superior por cotas, por exemplo.

Situações semelhantes às descritas anteriormente, têm provocado o “inchaço” indiscriminado dos grupos e a inserção ideologias que desvirtuam o movimento e pensamento das populações excluídas. Mancham suas bandeiras de luta e terminam por causar um rompimento da unidade ideológica, com formação de “movimentos organizados” dissidentes, lucrando e especulando sob a legitimidade dos movimentos que os originaram e alimentando o preconceito social.

Entretanto, há que se considerar que independente de possíveis desvirtuamentos ideológicos e de como os grupos hoje estão constituídos, há de comum a concentração de um patamar sócio-econômico muito aquém da sociedade em geral, necessitando tratamentos e olhares diferenciados, olhares equânime e empáticos.

As populações excluídas, além de exigirem uma atenção diferenciada em função de sua cultura e seus costumes, fazem com que os órgãos gestores da saúde, nos respectivos locais, estejam a todo o momento repensado as práticas, políticas e serviços que deverão ser oferecidos, pois aí existem grupos dinâmicos. Não são estáticos, não pararam no tempo, sobreviveram até os dias atuais e, portanto, também evoluem na suas necessidades, sobretudo as de saúde. Equidade para esses povos, então, não deve ser significar igualdade e sim a priorização de grupos em situação de exclusão.

Atualmente, os grupos ditos excluídos estão sendo contemplados nas políticas públicas nacionais. Na saúde, em particular, algumas políticas já estão sendo construídas levando-se em consideração os critérios de equidade para sua conformação, fato que se evidencia quando são criadas políticas de atenção e serviços exclusivos para essas comunidades, como por exemplo, a construção de serviços de saúde em zonas de assentamento, a manutenção da FUNASA para os indígenas, o mapeamento dos quilombos existentes para direcionamento de serviços, entre outras ações e atividades.

Dessa forma, na medida em que as políticas de saúde ainda não aplicadas uniformemente e tampouco são homogêneas, há que se fomentar e manter atitudes de saúde pública específicas para essas comunidades, sempre procurando preservar as características sócio-culturais e costumes de seus antecedentes.

As gestões municipais e estaduais têm a possibilidade de determinar dentro de suas prioridades a atenção a esses povos, com direcionamento de recursos e instalação de serviços nas localidades em que existem ou estão instalados. Vale lembrar que apesar de alguns desses movimentos serem efêmeros, outros são perenes, e independente do seu tempo de existência ou da forma como se construíram, eles repercutem diretamente nos índices de saúde locais e impactarão negativamente caso nenhuma ação seja empreendida.

Curiosidades:

- Acampamentos são moradas provisórias para futuros assentados. São improvisados em beiras de estradas e não recebem nenhum tipo de beneficio do governo para investimentos na produção.

- Assentamentos podem ser considerados pequenas propriedades, dando liberdade para os assentados aproveitarem os investimentos do governo, individualmente ou sobre a forma de cooperativas.

- Quilombolas são os grupos étnicos-raciais, segundo critérios de auto-atribuição com trajetória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade negra relacionada com resistência à opressão histórica sofrida. Decreto 4.887, de 2003.

- Das 16 mil famílias quilombolas já localizadas pelo Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), 6,9 mil estão recebendo o Bolsa Família, sendo o programa social de maior cobertura entre as comunidades remanescentes de quilombos. Das 2,1 mil famílias quilombolas pesquisadas, 87,4 % receberam visitas do Agente Comunitário de Saúde (ACS) em casa; 84,6 % receberam a vista do agente mensalmente e 78,5 % receberam cobertura mensal do Programa Saúde da Família.

- Dados do Incra informam que existem 6.044 assentamentos no país, distribuídos em 1.857 municípios, com capacidade para cerca de 760 mil famílias. Os acampamentos informados pelo Contag somam 419, com cerca de 43 mil famílias, distribuídas em 297 municípios. Nos acampamentos do MST, estão cerca de 87 mil famílias. As comunidades remanescentes de quilombos são 743, distribuídas em 315 municípios, ocupando cerca de 30 milhões de hectares e com população estimada de dois milhões de pessoas.



* Wagner Alves é enfermeiro